Festival Verão com Arte reúne cinco espetáculos em comemoração aos 60 anos do Teatro Glaucio Gill

Do Rio Encena

Sentido horário: “Os Javalis”, “Alice e Gustavo”, “Deixa Clarear”, “Zilda Arns” e “Brimas” Fotos: Divulgação

O Teatro Glaucio Gill completa 60 anos em 2019, marca esta que não passará em branco. Para celebrar as seis décadas de atividades, a direção da sala da Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana, preparou o Verão com Arte, festival que começou na última sexta-feira (05)e vai até 01/02 reunindo cinco espetáculos, sendo um inédito. As entradas para cada montagem custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Já quem adquirir o passaporte de R$ 75 poderá conferir todas as atrações do evento, que tem como mote a combinação entre o teatro e a estação mais quente do ano.

— É uma alegria comemorar os 60 anos do Teatro Gláucio Gil com peças de alta qualidade e reconhecido sucesso, preenchendo horários para todos os públicos. O verão carioca combina com Copacabana e Copacabana é praia e também é teatro — destaca Bia Oliveira, diretora do teatro.

A peça responsável por abrir o festival no fim de semana foi “Brimas”. Dirigidas por Luiz Antonio Rocha, Beth Zalcman e Simone Kalil encenam o texto escrito por elas próprias. As atrizes, em cartaz há três anos com o espetáculo e indicadas ao Prêmio Shell de Melhor texto, interpretam personagens inspiradas em suas próprias avós.  Ester e Marion, uma egípcia judia e uma libanesa católica maronita, respectivamente, relembram com afeto e emoção suas trajetórias de imigrantes, desde que deixaram seus países e vieram para o Brasil, onde encontraram tolerância e respeito.

Simone Kalil, aliás, está em cartaz em dose dupla no festival. Novamente dirigida por Luiz Antonio Rocha – com quem assina o texto – ela protagoniza também “Zilda Arns – A Dona dos Lírios”, que relembra a história de Zilda Arns (1934-2010), médica pediatra e sanitarista fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Três vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz, a brasileira foi considerada responsável por diminuir em 60% a taxa de mortalidade infantil no país ao se dedicar a salvar vidas em risco em locais como lixões e periferias.

Já “Alice e Gustavo”, apresentado por Carol Loback e Marcos Nauer, é uma comédia romântica que conta um inusitado caso de amor. Ao contrário de outras histórias que mais parecem contos de fadas e acabam com um “e viveram felizes para sempre…”, nesta montagem a proximidade com a realidade da vida é bem maior. Com humor, mas também delicadeza, a peça mostra os dois personagens citados no título se conhecendo a partir de seus próprios mundos solitários. A direção é de Jorge Farjalla, e o texto é uma parceria entre Carol e Rodrigo Monteiro.

“Deixa Clarear – Musical Sobre Clara Nunes”, como o título adianta, narra a história da cantora Clara Nunes (1942-1983). Com texto de Marcia Zanelatto e direção de Isaac Bernat, a atriz e cantora Clara Santhana sobe ao palco ao lado de quatro músicos, que tocam instrumentos como violão, cavaco, percussão e sax. Entre música e poesia, ela interpreta canções como “O canto das três raças” (Paulo Cesar Pinheiro/ Mauro Duarte), “Na linha do mar” (Paulinho da Viola) e “Morena de Angola” (Chico Buarque), entre outras, além de relembrar momentos da carreira da cantora que se empenhava em incentivar a juventude a valorizar o cancioneiro brasileiro e suas raízes.

Por fim, o espetáculo inédito: “Os Javalis”. Sob a estética do teatro do absurdo, Lucas Lacerda e Junior Vieira apresentam a história de um homem solitário que é surpreendido por um pretenso vendedor que invade seu lar e, num momento de desespero, anuncia o fim da humanidade, que se encontra devastada por javalis. A princípio desconfiado, o dono da casa começa a se deixar levar pelo discurso do desconhecido após eventos estranhos que acontecem ao redor da residência. Escrita por Gil Vicente Tavares e dirigida por Emiliano D’Ávila, a peça é livremente inspirada no clássico “O Rinoceronte”, do escritor romeno Eugène Ionesco (1909-1994).

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