Fã de Antônio Abujamra e multiface, Alexandre Lino fala sobre paixão pelo teatro: ‘Manda, e eu o obedeço’

Do Rio Encena

Lino é ator, produtor, diretor e autor Foto: Divulgação

Lino é ator, produtor, diretor e autor Foto: Divulgação

Na conversa com o RIO ENCENA para a seção Perfis, Alexandre Lino deixou evidentes três pontos que de alguma forma se interligam na sua carreira. Em três das dez repostas, ele citou em tom de admiração o ator, diretor e apresentador Antônio Abujamra (1932-2015). É provável, inclusive, que este artista tenha influenciado o pernambucano de Gravatá a se tornar um profissional multifacetado, acumulando mais de 25 peças no currículo, seja como ator, diretor e/ou produtor. Por fim, naturalmente, tamanho envolvimento com a arte cênica acaba sendo proporcional ao seu incondicional amor pelo teatro.

Sentimento e versatilidade tais, claro, ditaram a trajetória de Lino no teatro. Aos 42 anos, ele tem 17 de profissão, período no qual fez de tudo um pouco. Fundou a Documental Cia. e foi importante para o início das atividades da Cineteatro Produções. Já no palco propriamente dito, são 15 espetáculos apenas como ator, entre eles o documentário cênico “O Pastor”, o qual aponta como o mais marcante de sua carreira, e seu primeiro solo “Lady Christiny”, que volta ao circuito em março, no Teatro Sesi. Essa montagem, aliás, nasceu de um documentário que teve direção sua sobre a travesti citada no título. Além disso, idealizou o projeto transmidiático (peça, livro e filme) “Nordestinos”, no qual também atuou. Enfim, cada trabalho, independentemente da função, é para Lino mais uma oportunidade de estar em contato com aquilo que ama.

– O teatro é a minha casa, meu alimento e minha libertação. Vivo e morrerei aqui fazendo o que ele pedir… O teatro manda em mim, e eu o obedeço – exalta Lino, que volta também em março no Sesi como produtor geral de “Chica da Silva – O Musical”.

Ainda sobre sua versatilidade, mas já fora do teatro, Lino faz parte atualmente do elenco do seriado “A Cara do Pai”, com Leandro Hassun, na TV Globo. Já em relação a cinema, além de “Lady Christiny”, dirigiu também os curtas “Ensaio Chopin”, “Amor puro e Simplesmente”, além do longa documentário “Saudades Eternas”, que foi um dos representantes brasileiros no 7º Festival Internacional de Luanda (Angola). Também foi produtor da Mostra Cacá Diegues – Cineasta do Brasil, em homenagem aos 50 anos de carreira do cineasta. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Cite um espetáculo inesquecível que você tenha participado.
“O Pastor”, de 2013.

Tem algum fracasso na carreira? Pode nos contar?
Inexiste uma trajetória sem tropeços, sem erros e sem equívocos. E talvez nessas situações, entendemos um pouco melhor o nosso tamanho no mundo. Costumo estar cercado de pessoas que preso muito para a realização de um trabalho. E com amigos, o sucesso ou o fracasso podem ser bem divertidos. Vivi as duas experiências. O Abujamra sintetizou isso melhor que todos nós quando disse: “Para um artista, o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores.”

Lino em cena de "Lady Christiny", monólogo que nasceu a partir de um documentário dirigido por ele Foto: Janderson Pires/Divulgação

Lino em cena de “Lady Christiny”, monólogo que nasceu a partir de um documentário dirigido por ele Foto: Janderson Pires/Divulgação

O que ainda deseja fazer para considerar sua carreira completa no teatro?
Completa nunca será. A certeza de nossa finitude nos garante que não chegaremos lá. Mas, se eu tiver o privilégio de envelhecer fazendo teatro, certamente considerarei consagrada a minha carreira. Tenho aí pelo menos mais uns cem projetos para realizar até o fechar das cortinas.

Prefere produzir, dirigir ou atuar? Por quê?
Prefiro fazer teatro. Onde eu estiver nesse lugar, eu estarei realizado. O teatro é a minha casa, meu alimento e minha libertação. Vivo e morrerei aqui fazendo o que ele pedir.

Ator ou atriz você que tem como referência no teatro?
Antonio Abujamra, pelo privilégio da convivência. Paulo Autran, o maior ator do nosso país. E de minha geração, Irandhir Santos.

Cite um diretor (a) que você admira?
Antonio Abujamra.

Um gênero com o qual prefere trabalhar?
Teatro documentário.

Um profissional com quem tenha mais afinidade para trabalhar no teatro?
São vários e em diversas áreas. E isso vai se renovando com o tempo.

Na sua opinião, qual é o maior desafio na carreira de quem trabalha com teatro?
Sair do campo das ideias e realizar um projeto. Com ou sem recursos. Essa iniciativa, esse passo parece simples, mas não é. Estou finalizando um livro intitulado “Artista Empreendedor”, que fala exatamente sobre esse percurso. Devo isso ao Roberto Bomtempo e ao velho Abu quando o ouvi dizer repetidas vezes: “Não pensem, façam. Qualquer mente medíocre poder ter uma boa ideia. Realizá-la é que é genial.”.

Se não trabalhasse com teatro, que profissão teria escolhido?
Seria professor, mas também atuo como docente quando o teatro permite. O teatro manda em mim, e eu o obedeço!!!