Espetáculo ‘seis em um’ inicia curta temporada no Espaço SESC

Do Rio Encena

O elenco sobe ao palco para um jogo coletivo e ao mesmo tempo imprevisível Foto: Renato Mangolin/Divulgação

O elenco sobe ao palco para um jogo coletivo e ao mesmo tempo imprevisível Foto: Renato Mangolin/Divulgação

Assim como o título já dá a entender, “6 Modelos Para Jogar”, que estreia nesta quinta-feira (01/10), às 19h, no Espaço SESC, em Copacabana (e fica em cartaz apenas até 25/10), reúne seis espetáculos em um só. Idealizado pelo diretor Alex Cassal e pela coreógrafa Dani Lima, o processo criativo da peça reúne quatro artistas de perfis distintos e os desafia a construir uma montagem  imprevisível e coletiva, tipo um jogo. Em meio à improvisação, o único fator pré-definido é o ponto de partida: o livro “O Jogo da Amarelinha”, do escritor argentino Julio Cortázar.

– O perfil aventureiro e experimental do Cortázar influenciou minha geração. É a ideia da linguagem como um jogo que nos coloca diante do outro e testa as possibilidades de encontrar-se e perder-se – explica Cassal, frisando, entretanto, que não há citações ou personagens do argentino na peça: – Não queremos transpor o livro para outro formato.

O procedimento do espetáculo começou com o convite que Cassal e Dani fizeram aos coreógrafos e diretores Denise Stutz, Cristian Duarte e Márcio Abreu, que dividiram a direção projeto. Em seguida, foram convocados quatro artistas oriundos da dança, do teatro e da performance: Júlia Rocha, Fábio Osório, Francisco Thiago e Renato Linhares .

Em abril deste ano, pouco antes de estrear uma temporada em São Paulo, o grupo notou que não se tratava de uma montagem feita de materiais diferentes, mas sim diversas peças que, em comum, tinham o desejo de convidar o espectador a vivenciá-las.  Ou seja, seis versões de um mesmo espetáculo ou seis modelos.

Mas antes de chegarem a esta conclusão, eles precisaram passar por um procedimento pouco convencional. Após oito dias debruçados sobre o texto de Cortázar, os diretores encaram a missão de criar estratégias capazes de abordar assuntos em comum: acaso, relação com o outro, sensação de começar algo novo ou como estar pela primeira vez diante de um desconhecido.

Passada essa etapa, cada um concebeu um pedaço de espetáculo que só conheceriam totalmente às vésperas da estreia. Já os intérpretes, a cada semana, trocavam de diretor. Dentro desse procedimento, o encenador seguinte modificava ou desenvolvia o material já esboçado pelo companheiro, transformando-o em cenas, jogos, solos e sequências.

– Tivemos que inventar perguntas e jogos para criar intimidade entre nós, dentro da estrutura fragmentada que tínhamos. Como essa particularidade do projeto, que é um grupo de pessoas de lugares distintos juntas por um período enxuto de tempo, poderia estar expressa no processo e na dramaturgia? Qual seria a regra que daria conta de organizar cada cena e a multiplicidade de olhares num todo? – complementa Dani.

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