Em fim de temporada com ‘Enrolados’, Rodrigo Candelot comenta estreia como diretor: ‘Primeira de muitas’

Luiz Maurício Monteiro

O espetáculo fica em cartaz até o próximo dia 16 Foto: Marli Santos/Divulgação

Aos 45 anos de idade, sendo quase 20 de carreira, e com cerca de 15 peças como ator, Rodrigo Candelot viveu uma experiência diferente em 2017. Em cartaz no Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon, a comédia “Enrolados” marcou a sua estreia como diretor de teatro. Passado um mês de temporada, ele conversou com o RIO ENCENA e analisou positivamente o começo na nova função, apesar de sua própria resistência inicial à ideia.

— Eu tinha receio de me lançar na direção. As pessoas falavam para eu dirigir, mas eu tinha medo. Agora, acho que consegui quebrar esse medo e espero que seja a primeira de muitas — torce Candelot, que neste ano esteve no mesmo Café Pequeno como ator em “Perto do Coração Selvagem”.

Tal motivação para novos desafios na direção vem da resposta dos espectadores nesta primeira temporada. Segundo Rodrigo, os comentários de quem assistiu foram majoritariamente positivos. Além disso, “Enrolados” ficaria em cartaz somente até o último dia 02. No entanto, a administração do Café Pequeno propôs uma prorrogação até dia 16, apostando na boa média de público da temporada, algo em torno de 44,5 pagantes por sessão, num teatro com capacidade para 80.

Os números podem até não impressionar caso não sejam levados em consideração alguns fatores. Por exemplo, o horário pouco convencional das 22h, que pode agravar outras questões como o medo da população diante da crescente violência. Além disso, o Café Pequeno, ao contrário de alguns teatros da Zona Sul, não fica dentro de um shopping ou uma galeria e não tem estacionamento.

O diretor Rodrigo Candelot (C) posa entre o elenco da comédia

Sobre a concepção da peça, Candelot compensou a falta de experiência como diretor com a sua rodagem em frente às câmeras, sustentada por diversos trabalhos em novelas, séries e campanhas publicitárias. Para “Enrolados”, ele, que também tem vivência no cinema – com destaque para “Tropa de Elite 2”, no qual viveu o coronel e secretário de segurança Formoso – pegou textos originais e outros já existentes, estes feitos para a telinha, para montar um espetáculo como “se estivesse fazendo TV no teatro”, um estilo que o próprio explica na entrevista abaixo.

Que balanço você faz desta sua estreia como diretor?
Positivo até agora. Quem foi assistir, elogiou a direção e os atores. E fico feliz porque eles têm o trabalho elogiado e tiveram orientação minha. A experiência que tive como ator e o fato de ser comédia, que é uma área que domino, me ajudaram no dia a dia. Mas a verdade é que, como é a primeira direção, a gente nunca sabe o que vai acontecer. A gente se divertia nos ensaios, a expectativa era boa, mas não sabia como ia ficar no palco, como seria a recepção do público. De um modo geral, as pessoas saem falando bem. O feedback é positivo. E antes eu tinha um receio de me lançar na direção. As pessoas falavam para eu dirigir, mas eu tinha medo. Agora, acho que consegui quebrar esse medo e espero que seja a primeira de muitas.

Te preocupou no início esse horário das 22h, que é pouco convencional?
O horário não é bom, até porque pessoas têm medo de sair de casa pela violência. Me preocupou, mas o Rio de Janeiro sofre com o problema de não ter pauta. A política pública de cultura é muito ruim no Brasil. E o Rio sofre com esse desmantelamento da cultura. Nós começamos a procurar teatro, mas comédia não pode ser em qualquer lugar e horário. E como já fiz duas peças no Café Pequeno, tenho um vínculo bacana com o pessoal da Fetaerj (Federação de Teatro Associativo do Estado do Rio de Janeiro), que faz a ocupação de lá. Eles confiam muito em mim e disseram que não tinham horário, mas podiam abrir esses das 22h. Aí eu disse: “É só este que tem? Então vamos”. Acho que se estivéssemos num horário nobre, estaríamos lotando. Mas estamos com uma boa média de público. Tem teatros grandes por aí com 20 espectadores por sessão. Nós temos 80 lugares e estamos tendo ocupação de mais de metade, mesmo nesse horário.

Sobre o espetáculo, as esquetes têm textos originais e também adaptações de textos já existentes. Explique um pouco da proposta?
Tem textos adaptados da “Comédia da Vida Privada”, de “Os Normais”… São textos curtos feitos para TV. Então, é como se estivéssemos fazendo TV no teatro. E em vez de fazer espetáculo todo no palco, faço cenas em lugares diferentes dentro do teatro. É como se olho do espectador girasse, porque é feito de uma forma dinâmica. Amigos meus foram ver e elogiaram as trocas rápidas. Parece que você está vendo um seriado de TV, que termina uma cena e logo começa outra.

Já tem previsão para prorrogar novamente essa temporada ou iniciar uma nova em outro teatro?
Começo de ano é sempre ruim pelas festas desse período. A gente tinha convite para seguir em janeiro no Café Pequeno, mas acho temeroso. Um espetáculo tem muitos gastos, e nós não temos patrocínio, fazemos nossa produção, conseguimos essa temporada graças a uma ação de benfeitoria… E também tenho uma atriz com problemas em janeiro. Então devemos voltar só em março, mas ainda não temos nada definido. E podemos fazer apresentações em outras cidades ou em unidades do Sesc.

Por falar em futuro, tem planos a curto prazo fora do teatro?
Acabei de filmar uma nova série do Porta dos Fundos (“Borges Importadora Limitada”, com estreia prevista para o primeiro semestre de 2018), e também fiz um secretário de segurança na série DAS – Divisão Antissequestro do Multishow, feita pela AfroReggae Audiovisual (também com estreia para o primeiro semestre de 2018). E o engraçado é que estou fazendo um outro secretário de segurança, porque já tinha feito um em “Tropa de Elite” (risos).

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