Eleições 2018: antes do 2º turno, Rio Encena republica propostas de Witzel e Paes para o teatro no Rio de Janeiro

Luiz Maurício Monteiro

Eduardo Paes (E) e Wilson Witzel disputam o 2º turno na eleição para governador do RJ Fotos: Divulgação

A uma semana do segundo turno da eleição 2018 para governador, o RIO ENCENA republica as ideias e propostas para o teatro no estado do Rio de Janeiro dos candidatos Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEMOCRATAS). As respostas haviam sido publicadas pela primeira vez no último dia 06/10 – véspera do primeiro turno –  junto com as dos demais candidatos.

Durante a última semana, nossa reportagem entrou em contato com as assessorias dos candidatos a fim de saber se gostariam atualizar as propostas. No entanto, ambas afirmaram que as respostas seguem as mesmas.

As questões dizem respeito aos seguintes temas: investimentos no teatro de uma forma geral no estado; projetos do governo voltados para as artes cênicas (atualmente, são apenas três: edital de ocupação de teatros da capital, a Lei de Incentivo a projetos culturais e o projeto de intercâmbio Novas Cenas); melhorias nos equipamentos da esfera estadual; urgência na reforma do Teatro Villa-Lobos, fechado desde 2011 e em ruínas.

Os candidatos não tiveram qualquer tipo de limite de palavras ou parágrafos. A sequência dos candidatos abaixo foi definida mediante a ordem de retorno à nossa reportagem. Confira:

Foto: Divulgação

WILSON WITZEL (PSC)

Que grau de importância terá o teatro caso a sua candidatura seja eleita?
Vejo com tristeza a falta de resultado dessa pasta, o que não difere dos demais setores do atual governo estadual. As prioridades estão equivocadas e não se vê real promoção da cultura no estado. Vamos promover a sinergia da cultura com a educação, o esporte e o lazer e daremos à área, sempre com responsabilidade de orçamento e gestão, a importância que ela tem e merece ter, de forma a se construir uma educação integral dos nossos jovens.

O Governo estadual atualmente conta com três projetos voltados para o teatro. Este programa deve ganhar mais investimentos, ser mantido ou cortado?
Tendo em vista a crise financeira do Estado, precisamos ser cautelosos com os investimentos em todas as frentes, mas nosso projeto visa transformar a cultura do Rio em uma potência econômica e chamariz turístico. E para que um dia nossa cultura seja autossustentável e superavitária, é preciso um relevante investimento inicial. O turismo cultural é nosso maior bem econômico.

Suas propostas para os cerca de 20 teatros da esfera estadual?
É importante dar fomento à cultura clássica e popular e buscar a autossustentabilidade dos aparelhos culturais da cidade por meio da instrumentalização da nossa rica história cultural como chamariz turístico. Vamos manter os equipamentos culturais em perfeito estado de funcionamento não só para os moradores como também para os turistas que passaremos a atrair em 2019, com a volta da segurança pública no estado.

Fechado desde 2011, o Teatro Villa-Lobos está em ruínas e é considerado extremamente importante pela classe artística. Este equipamento merece prioridade?
A tragédia do Museu Nacional, fruto do descaso da gestão federal do MDB, nos mostrou a importância de uma visão administrativa moderna e não-política. Vou chamar parceiros do empresariado e investir também recursos próprios do governo para uma reforma completa dos equipamentos e espaços de cultura do Estado.

Foto: Divulgação

EDUARDO PAES (DEMOCRATAS)

Que grau de importância terá o teatro caso a sua candidatura seja eleita?
Em meu plano de governo declaro o meu compromisso de reposicionar o papel do patrimônio artístico e cultural no desenvolvimento econômico e na agenda pública do Estado do Rio de Janeiro. Vou fazer isso dando apoio aos setores criativos, incrementando as cadeias produtivas das artes, incluindo-se aí as artes cênicas, da cultura, do lazer, do entretenimento e do turismo. Nada melhor do que contribuir para diversificar as matrizes econômicas do nosso Estado investindo em cultura. Quero trabalhar para melhorar o ambiente de negócios para o setor cultural, visando ampliar o seu potencial de geração de trabalho, emprego e renda. Quero fortalecer iniciativas usem a cultura na promoção dos direitos sociais e humanos, no combate às desigualdades e preconceitos de gênero, raça, identidade, e a intolerância religiosa.

O Governo estadual atualmente conta com três projetos voltados para o teatro. Este programa deve ganhar mais investimentos, ser mantido ou cortado?
Não sou daqueles que acham que o que é bom de governos anteriores deve ser descontinuado. Mas a verdade é que a cultura perdeu vitalidade como função de governo no Estado nos últimos anos. Mesmo que eventualmente uma ou outra iniciativa seja considerada boa, os impactos e relevância da Secretaria de Estado de Cultura diminuíram e, nenhuma delas, está à altura da criatividade do povo fluminense e da força e capacidade inventiva dos artistas e produtores culturais do Estado. Fui o Prefeito que mais investiu em cultura nos últimos anos e quero ser o governador que vai ser reconhecido por isso também. Portanto, vamos mexer em tudo o que for preciso mexer e incrementar o que puder ser incrementado para restaurar a vitalidade e vigor do setor cultural. No caso específico da Lei Estadual de Incentivo, vamos trabalhar para ampliar a base de empresas que usam o mecanismo e também de produtores que o utilizam, fazendo com que ela alcance diversões regiões e modos de produção. O Governador e a Secretaria de Estado de Cultura podem e devem ter uma postura mais pró-ativa na mobilização do interesse empresas que estão aptas a utilizarem o mecanismo, mas não o fazem ou por desconhecimento ou por alguma insegurança. Vou trabalhar para reverter isso.

Suas propostas para os cerca de 20 teatros da esfera estadual?
Na verdade os meus estudos apontam 25 equipamentos culturais, 19 deles na Capital, revelando uma brutal desigualdade na distribuição da infraestrutura cultural do Estado do Rio de Janeiro que é histórica. Não se resolve isso no curto espaço de um governo. Mas isso não será um impeditivo para ampliarmos a circulação, consumo e fruição de bens e serviços culturais. Afinal o Estado do Rio de Janeiro tem outros ativos culturais como equipamentos de prefeituras, organizações privadas, instituições sociais e paraestatais como o SESC e o SESI/FIRJAN. Vamos investir esforços na articulação desses diferentes espaços visando co-criar e co-produzir circuitos de artes, espetáculos, exposições, entre outras expressões e manifestações. E, claro, vamos passar um pente-fino em cada um dos equipamentos de propriedade do Governo do Estado, visando colocá-los aptos e em condições de funcionamento. Vou começar, logo nos primeiros dias, a trabalhar na reabertura das Bibliotecas Parques.

Fechado desde 2011, o Teatro Villa-Lobos está em ruínas e é considerado extremamente importante pela classe artística. Este equipamento merece prioridade?
Recuperar e modernizar a gestão dos equipamentos culturais do Governo do Estado do Rio, através de investimentos na infraestrutura e adoção de modelos de gestão que desenvolvam parcerias e potencialidades com organizações privadas e da sociedade civil, é uma das metas do meu plano de governo. Tanto a recuperação do Villa-Lobos quanto a conclusão das obras do Museu da Imagem do Som estão no radar das prioridades desta meta do plano de governo. Vou olhar também com muito cuidado e interesse para os conjuntos de imóveis próprios do Estado que podem ter destinação cultural, abrigando grupos, companhias, coletivos e empreendimentos artísticos, culturais e criativos. Um deles é a Fazenda Colubandê, em São Gonçalo – um patrimônio histórico tombado que vem se degradando e que pode dar lugar à um lindo centro de cultura e uma imensa área de lazer e convivência na segundo maior cidade do Estado em população e super carente de espaços públicos qualificados.

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