Drama ‘Normal’ estreia em Ipanema propondo reflexões a partir da história real de um serial killer

Do Rio Encena

Fifo Benicasa (E), Nara Monteiro e Ricardo Soares contracenam em “Normal” Foto: Pedro Murad/Divulgação

Quem determina o que é normal? Você e seu comportamento ou o que a sociedade define como padrão? Tais perguntas são provocações dos idealizadores de “Normal”, espetáculo que chega ao Espaço Rogério Cardoso, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, nesta semana sugerindo reflexões a partir da história verídica de um serial killer. Com estreia prevista para essa terça-feira (04) às 19h, a montagem é uma produção em parceria entre os atores Ricardo Soares e Fifo Benicasa, que, em cena, dividem a cena com a atriz Nara Monteiro.

— Um texto relevante neste atual momento do mundo, quando a sociedade julga determinados tipos de comportamento, sem se aprofundar em suas causas e sem perceber as consequências que os julgamentos precipitados ocasionam — acrescenta Ricardo Soares, referindo-se ao texto do dramaturgo escocês Anthony Neilson, que foi traduzido para o português por Alexandre Amorim.

Dirigido por Luiz Furlanetto, o espetáculo faz uma abordagem sombria e cômica dos últimos de vida do alemão Peter Kürten, um dos serial killers mais famosos do século XX, que ficou conhecido como “vampiro de Düsseldorf”, por ter sido autor de uma série de crimes, entre assassinatos brutais e crimes de violência sexual, contra adultos e crianças no ano de 1929. Em 1931, o assassino foi condenado à morte por decapitação. Posteriormente, sua cabeça foi dissecada e mumificada para estudos e, hoje, se encontra num museu nos Estados Unidos.

Na peça, Kürten, que é interpretado por Ricardo, ganha a defesa do jovem advogado Justus Wehner, vivivo por Benicasa. O objetivo do jurista é provar ao júri que Kürten cometeu os crimes devido a um desajuste social. O quebra-cabeça montado por Wehner, que reúne peças como a mãe do assassino e suas vítimas, propõe ao espectador refletir sobre ser humano como fruto da sociedade.

— Abordar a vida de um serial killer, que até hoje tem sua cabeça exposta no museu “Ripley’s Believe it or Not”, nos leva a refletir se a externalização da violência é nata ou socialmente construída. A monstruosidade de um assassino é um desajuste mental ou a falta de perspectivas familiares, sociais são os condutores para este tipo de comportamento? — questiona Ricardo.

— Fazer o Wehner é nos levar a refletir sobre a importância da família na criação do ser humano — complementa Fifo.

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