Drama musicado ‘Hoje é dia de Rock’ retorna ao Teatro Ipanema para comemorar os 50 anos da casa

Do Rio Encena

A peçaconta a saga de uma família que troca o sertão pela cidade grande Foto: Vitor Dias/Divulgação

O Teatro Ipanema completa em 2018 50 anos de atividades artísticas e, como parte das celebrações pela marca, recebe nesta semana uma das mais marcantes peças que já passou por aquele palco ao longo deste meio século. Trata-se do drama musicado “Hoje é dia de Rock”, versão do diretor Gabriel Villela para o texto original de José Vicente (1945-2007) que estreia nessa sexta-feira (02/03), às 20h30.

“Hoje é dia de Rock” foi montado no Teatro Ipanema pela primeira vez em 1971, com direção de Rubens Corrêa (1931-1996) e Evandro Mesquita como um dos integrantes do elenco. De acordo com Mesquita, aliás, o sucesso foi tanto que, após uma temporada de um ano inteiro lotando a sala, a última apresentação recebeu tantas pessoas que acabou sendo transferida do teatro para a praia para que todos os presentes pudessem conferir a encenação.

Já a temporada da atual montagem é curtíssima: vai somente até 19 de março, com sessões também sábados, domingos e segundas, no mesmo horário. A classificação etária é de 14 anos, e os ingressos custam a partir de R$ 25 (meia).

Produção da companhia Teatro de Comédia do Paraná, o espetáculo-biografia de Vicente, que vem de temporadas em São Paulo (SP) e Curitiba (PR), conta a história de uma família que sai do sertão de Minas Gerais para tentar uma vida melhor numa capital.

Enquanto o patriarca é um músico sonhador que só pensa numa clave musical jamais inventada, a mãe vê esta mudança para a cidade grande como a única chance de dar uma futuro mais promissor para seus cinco filhos. O problema é que a metrópole é movida a consumo, fazendo com que os meninos se deslumbrem como uma espécie de jeito americanizado de vestir, comportar e consumir.

— A peça trata da dissolução da identidade da família frente às transformações, muitas vezes trágicas — explica Villela, recordando a época em que a versão original estreou no Teatro Ipanema, durante o regime militar: — A estreia carioca foi num período turbulento no Brasil e de emancipação no mundo.

Para embalar a saga da família, uma trilha sonora de 17 canções, que vai de Milton Nascimento a Elvis Presley (1935-1977), foi preparada por Marco França, responsável pela direção musical, pelos arranjos e pela preparação Vocal.

Equipamento cultural municipal desde 2012, quando foi reformado pela prefeitura, o Teatro Ipanema é ocupado desde 2016  pela residência artística Vem Ágora, que venceu uma licitação.

Trilha sonora

As Mocinhas da Cidade (Nhô Belarmino)
Bola de Meia, Bola de Gude
 (Milton Nascimento e Fernando Brant)
Caçador de Mim
 (Sergio Magrão & SÁ)
El Condor Pasa 
(Daniel A. Robles / Jorge Milchberg)
Encontros e Despedidas 
(Milton Nascimento, Fernando Brant)
Fé Cega, Faca Amolada 
(Milton Nascimento)
It’s Now Or Never 
(Elvis Presley)
Let It Be (Lennon & McCartney)
Love Me Tender 
(Elvis Presley/Vera Matson)
O Trem Azul 
(Lô Borges; Ronaldo Bastos)
Panis Angelicus 
(César Franck)
Queremos Deus 
(Adaptação De Milton Nascimento e Túlio Mourão)
San Vicente
 (Milton Nascimento, Fernando Brant)
Trenzinho Caipira (Heitor Villa Lobos)
Tristeza do Jeca 
(Angelino de Oliveira)
Tutti Frutti 
(Little Richard)
Um Gosto de Sol
 (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

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