Drama ‘Moléstia’ retorna ao Teatro Glaucio Gill tratando de violência sexual infantil

Do Rio Encena

As imagens do espetáculo são projetadas em tempo real pelos próprios atores Foto: Divulgação

Dados do Ministério da Saúde apontam que, se comparados 2011 e 2017, o Brasil viu crescer em 83% os casos de violências sexuais contra crianças e adolescentes. E se forem contabilizadas apenas as ocorrências denunciadas, no período entre os mesmos anos, o total chega a 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 contra crianças e 83.068 contra adolescentes. Diante de números tão alarmantes, torna-se imprescindível tratar do tema, assim como faz o espetáculo “Moléstia”, que retorna ao Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, na próxima sexta-feira (12), às 21h.

Esta é a segunda vez que o drama – que marca a estreia do dramaturgo Herton Gustavo Gratto no circuito teatral carioca – é levado ao palco da Praça Cardeal Arcoverde. A primeira foi em outubro do ano passado, na segunda temporada da montagem. Já a estreia nacional aconteceu na Mostra Mais, evento realizado em junho passado no Reduto, espaço alternativo de Botafogo.

Sob direção de Marcéu Pierrotti, que lança mão de uma mistura de linguagens cênica e cinematográfica, o espetáculo propõe uma alternância de cenas do passado e do presente com um jogo de captação de imagens e projeção audiovisual em tempo real. Com isso, a ideia é revelar ao público, gradativamente, novas camadas e diferentes pontos de vista da trama.

— A câmera se oferece para ampliar as evidências, trazendo uma múltipla perspectiva para a plateia. O público é incitado a criar seu próprio julgamento, escolhendo qual narrativa quer seguir – tela ou palco – e fazendo a sua própria edição da história — explica o diretor, que deu a responsabilidade de operar os equipamentos de captação e projeção aos próprios atores, durante as cenas.

Por falar nos atores, são eles Ciro Sales e Camila Moreira, que interpretam o casal Breno e Mabel; Deborah Figueiredo, a madre superiora da escola onde estuda o filho deles, Thiago; Felipe Dutra, que dá vida a Cadu.

A história começa quando o casal topa hospedar o amigo de longa data em casa. Por trás desta hospitalidade, está a ideia de aprofundar as relações dúbias de amizade e atração física que costura este trio.

A relação de confiança entre eles, porém, se rompe depois que o casal descobre que Thiago foi abusado sexualmente. Tudo leva a crer que Cadu foi o autor da violência, suspeita esta que os leva a uma sequência de embates, melindres e julgamentos sobre a conduta de todos.

— Pais ausentes, Breno e Mabel vivem um relacionamento destrutivo. Cadu é um contraponto à esta relação, pois desperta neles uma sexualidade adormecida, ao passo que desenvolve com Thiago uma parceria de afeto e confiança — complementa Ciro Sales.

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