Diretora estreia infantil sobre física de partículas e mostra confiança na boa recepção da criançada: ‘Vão curtir’

Luiz Maurício Monteiro

Júlia Shimura (E), Claudio Mendes, Julia Gorman, João Lucas Romero (atrás) e André Arteche

“A Física de partículas é um ramo da Física que estuda os constituintes elementares da matéria e da radiação, e a interação entre eles e suas aplicações”. Se a definição do físico alemão Bodo Hamprecht (1940-2005) para Física de partículas já parece dar um nó na cabeça de qualquer adulto, imagina na de uma criança? Pois nem tamanha complexidade impediu a diretora Joana Lebreiro de montar o musical infantil “Isaac no Mundo das Partículas”,que estreia no próximo sábado (27), às 16h, o Oi Futuro Flamengo. E apesar do tema pouco convencional para o universo mirim, ela mantém a confiança na boa recepção por parte da criançada.

A empreitada ousada começou no dia 30 de dezembro de 2016, quando Joana teve o que chama de “intuição”. Amamentando sua filha caçula, então com quatro meses, e navegando pela Internet, ela descobriu que a autora Elika Takimoto estava para publicar um livro infantil sobre Física de partículas. Imediatamente, ela teve o insight que dali poderia surgir uma peça. Logo, entrou em contato com a autora, dando início ao processo de adaptação para os palcos.

Joana Lebreiro é a responsável pela direção e adaptação do livro

Com dois infantis no currículo, “Coisas que a Gente não vê” (2013) e “Bisa Bia, Bisa Bel” (2014), Joana usou sua experiência para transformar um assunto tão complexo em algo lúdico. Neste caso, um show de rock – com direito a estética inspirada em David Bowie – tocado por músicos-partículas e a amizade entre um garoto e um grão de areia, que viajam da Grécia antiga ao Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), o maior laboratório de Física de partículas do mundo, localizado na Suíça. Tudo isso para falar sobre algo inerente aos pequenos, mas na linguagem deles.

— As crianças podem não se interessar por Física de partículas, mas algumas perguntas são universais: “quantos grãos de areia existem na praia?”, “o que é infinito?”, “qual é a menor coisa do mundo?”. Não é sobre Física de partículas. É mais sobre a criança que tem perguntas e quer respostas e vai descobrindo que não precisa parar de perguntar. Acho a criançada vai curtir – torce Joana, que contou com a parceria da produtora Camila Vidal.

Ainda sobre a proposta do musical infantil, Joana Lebreiro reforça que não existe a pretensão de ensinar Física para as crianças.

— A proposta é despertar a curiosidade e a vontade de perguntar. A gente fala sobre isso numa das músicas, de olhar para o mundo com o olhar do pensar. O livro é poético, e eu puxei mais para esse lado do que para o conteúdo, porque para explicar tudo na peça, é muita coisa — explica.

Ensinar pode até não ser o objetivo da peça, mas aprender fez parte do processo. Entre a construção do texto e os ensaios, Joana acabou aumentando seu conhecimento sobre Física, assim como o elenco formado por André Arteche, Claudio Mendes, João Lucas Romero, Julia Gorman e Júlia Shimura.

— Começamos a ensaiar com o texto incompleto, porque eu queria que a gente fosse aprendendo. Eu odiava Física, tinha horror. Achava que nunca mais ia me interessar. Brigava com um professor, falava que ia fazer teatro, que física não ajudaria em nada, e ele falava que um dia eu ia fazer uma peça sobre física. E agora estou lendo, querendo ver filme. Não é aquela Física da escola, com formulas. Quando vi que é mais do que isso, passei a me interessar mais. Estou querendo ler mais — o admite.

O espetáculo fala sobre Física de partículas de uma maneira lúdica Fotos: Rudy Hühold/Divulgação

Instalação

Durante a temporada do espetáculo, dois eventos relacionados serão realizados no Oi Futuro. Um deles é o lançamento do livro homônimo de Elika Takimoto, no dia 17 de fevereiro, após a apresentação da peça. E o outro é a instalação Os Mundos de Isaac, que ficará no térreo do centro cultural.

Com o objetivo de usar a tecnologia para inserir o espectador em realidades virtuais, a instalação foi criada pelos irmãos Rico e Renato Vilarouca, conhecidos por seus trabalhos com projeções para teatro, para dialogar com a peça, podendo ser conferida não só pelo público que assistiu à montagem, como atividade complementar, mas também por qualquer outro visitante do Oi Futuro.

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