Com 20 anos de carreira, Ana Paula Abreu fala das dificuldades de se viver de teatro: ‘Vivemos um retrocesso’

Do Rio Encena

Ana Paula Abreu tem mais de 50 espetáculos na carreira Foto: Divulgação

A trajetória de Ana Paula Abreu no teatro começou bem antes das graduações em direção teatral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Artes Cênicas pela Unirio. Desde cedo, já sabia com o quê queria trabalhar. Tanto que hoje, com apenas 36 anos, já tem 20 anos de carreira e mais de 50 espetáculos no currículo, entre eles, “Na Rotina dos Bares”, que mais a marcou; e o infantil “Tra la lá”, que encerra temporada no Oi Futuro Ipanema nesse fim de semana. Além de diretora, a carioca também é professora no CEFTEM (Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical) e produtora – é sócia-fundadora da Diálogo da Arte Produções Culturais, fundada em 2010 em parceria com Renata Blasi.

Ana Paula acumula também trabalhos com a renomada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, assinando seu nome, entre 2008 e 2012, em musicais como “A Noviça Rebelde”, “Avenida Q” e “Gypsy” e “Um violinista no telhado”. Já em 2009, ela alçou voos para fora do teatro: ainda junto com Möeller e Botelho, foi assistente de direção na minissérie “Dalva & Herivelto”, da TV Globo.

Mas até acumular tantos trabalhos e tanto tempo de carreira, Ana Paula precisou de muito amor à profissão e perseverança. Nessa conversa com o RIO ENCENA, ela não esconde a decepção com os reflexos da atual crise nacional e estadual na cultura

– Em momentos de crise a cultura é um dos primeiros itens a serem cortados… nesse momento, estamos vivendo um retrocesso – lamenta a diretora, que falou ainda sobre muitos outros assuntos na entrevista abaixo:

Cite um espetáculo inesquecível que você tenha participado?
“Na Rotina dos Bares”

Tem algum fracasso na carreira? Pode nos contar?
Fracasso é muito relativo. Uma peça sempre divide opiniões, uma parte do público ama e a outra nem tanto. Quando a gente pensa um espetáculo, produzindo ou dirigindo, a gente monta porque quer contar aquela história.

O que ainda deseja fazer para considerar sua carreira completa no teatro?
Ainda tenho muita coisa pra fazer, a estrada é longa. São muitas ideias na cabeça, tenho ainda muitos projetos pra realizar.

Prefere produzir, dirigir ou atuar? Por quê?
Eu sempre me identifiquei muito com a direção, mas como diretora, senti a necessidade de entender como funciona a arte de transformar uma ideia em algo concreto, e aí veio a produção! Para mim direção e produção se complementam!
Há muito tempo não trabalho como atriz, até sinto saudade… quem sabe um dia eu me animo e volto a atuar…

“Tra la lá”, dirigido por Ana Paula, conta a história de Lamartine Babo no Oi Futuro Ipanema Foto: Rafael Blasi/Divulgação

Ator ou atriz você que tem como referência no teatro?
Fernanda Montenegro, parece óbvio, talvez seja, mas ela é realmente uma grande referência. Escutar a Fernanda falando sobre o fazer teatral é sempre uma aula, uma inspiração, é um estímulo pra mim! O exemplo dela me incentiva a seguir em frente e a acreditar mais na profissão!

Cite um diretor (a) que você admira?
Aderbal Freire Filho

Um gênero com o qual prefere trabalhar?
Gosto de trabalhar com teatro, independente do gênero.

Um profissional com quem tenha mais afinidade para trabalhar no teatro?
Tenho dois grandes parceiros no teatro: Marcos França e Renata Blasi.

Na sua opinião, qual é o maior desafio na carreira de quem trabalha com teatro?
Viver de Teatro! Em momentos de crise a cultura é um dos primeiros itens a serem cortados. Levamos muito tempo tentando construir e fortalecer políticas públicas para esse setor. Mas nesse momento estamos vivendo um retrocesso. O maior desafio do artista é ser reconhecido como um profissional da cultura, como alguém que tem um papel fundamental na construção da identidade de uma nação.

Se não trabalhasse com teatro, que profissão teria escolhido?
Alguma coisa relacionada à moda.