Diretor Gilberto Gawronski ocupa Teatro Dulcina com duas obras internacionais: ‘Nada’ e ‘Marido Ideal’

Do Rio Encena

“Marido Ideal” e “Nada” ficam no Dulcina até o fim de julho Fotos: Cristina Amaral e Renato Krueger/Divulgação

O diretor Gilberto Gawronski ocupa o Teatro Dulcina, no Centro, a partir desta semana, com adaptações de dois espetáculos de autores clássicos famosos mundialmente. Nessa quinta-feira (06), às 19h, estreia “Marido Ideal”, do irlandês Oscar Wilde (1854-1900). Já no sábado (08), no mesmo horário, será a vez de “Nada”, do russo Anton Tchekhov (1860-1904). Ambas as temporadas são curtas, com fim previsto para o fim deste mês, e entradas a partir de R$ 20 (meia).

“Marido Ideal” é uma comédia de costumes sobre o jogo de aparências que muitas afeta as sociedades, principalmente nas camadas mais altas. Um ministro de gabinete, que está prestes a ser denunciado por erros do passado, como por exemplo ficar rico vendendo um segredo de estado, começa a ser chantageado por uma mulher de caráter igualmente duvidoso. Tal situação desencadeia uma série de acontecimentos inusitados. Nesta adaptação, Gawronski cita trechos de outros textos de Wilde como “A Importância de ser Perfeito” e “O Retrato de Dorian Gray”. Já a peça original é uma das mais montadas em toda a Europa.

O gaúcho Gilberto Gawronski estreou como diretor em 1991 Foto: Divulgação

Já em “Nada”, na qual as atrizes interpretam personagens femininos e masculinos, o foco vai da “situação cômica” de uma pessoa que dá conferência sobre um assunto do qual não entende, para a tragicomédia da existência de um homem, através da obra de Tchekhov. O espetáculo, que segundo o diretor fala sobre “o processo do envelhecimento, o processo do fazer artístico”, é costurado ainda por uma colagem de outras obras do russo como “O Canto do Cisne” e o “O Jardim das Cerejeiras”, além de “Rei Lear”, do inglês William Shakespeare (1564-1616).

Sobre as ocupações, Gawronski chama a atenção para uma iniciativa como esta em tempos difíceis.

– Eu penso que ocupar é uma forma de ainda manter uma produção cultural e artística nesse período de crise que estamos vivendo – afirma ele, resumindo a ideia de escolher estes dois espetáculos para apresentar: – Vejo as duas montagens não como uma forma de resistir, mas de “reexistir” ao contexto atual. O teatro e a arte são um acalanto para esses tempos tão conturbados.

Gaúcho morando no Rio de Janeiro desde 1984, Gawronski, que também é ator, estreou como diretor com “Uma História de Borboletas”, conto de Caio Fernando Abreu (1948-1996).

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