Diretor estreante e no ar em novela, Paulo Verlings vê carreira de artista no teatro como ‘um ato de resistência’

Do Rio Encena

Com 31 anos, Paulo acaba de estrear como diretor Foto: Faya/Divulgação

Com 31 anos, Paulo acaba de estrear como diretor Foto: Faya/Divulgação

A carreira de 14 anos de Paulo Verlings (31) ganhou um novo capítulo recentemente. No último dia 21 de outubro, estreou na Fundição Progresso “Alguém Acaba de Morrer lá Fora” – em cartaz até 20/11 – espetáculo que marcou seu debute como diretor teatral. Esse, porém, foi para o ator de peças como “Cachorro!” e “Fatal” mais do que um passo importante em sua trajetória nos palcos. Foi mais uma demonstração de um “ato de resistência”, como ele próprio define a iniciativa de quem faz teatro no Brasil.

– Necessita-se de uma vocação absoluta para manter-se na profissão – diz Paulo, natural de São João de Meriti (RJ), em entrevista ao RIO ENCENA.

Diante de todas as dificuldades para viver de teatro por aqui, não é de se admirar que os artistas digam que é preciso muito amor à profissão para seguir em frente. E no caso de Paulo Verlings, o sentimento pelas artes cênicas ainda ganhou o reforço de um outro amor: o da sua esposa, Carolina Pismel, com quem fundou a Cia. Teatro Independente e atuou em montagens como “Rebú”, “Maravilhoso” e “Beije Minha Lápide”, entre outras.

Para quem não está ligando o nome à pessoa, Caroline foi a babá Janice na novela das 19h “I Love Paraisópolis” (TV Globo, 2015). Esse mesmo horário, inclusive, está sendo ocupado atualmente por um folhetim que tem Paulo no elenco. Ele é o Romildo de “Rock Story”, que estreou recentemente. Antes, o ator já havia atuado em produções como “Joia Rara” (2014), “Em Família” (2014) e “Babilônia” (2015). Nada, entretanto, que o tenha feito deixar o amor pelo teatro de lado, como é possível notar na entrevista abaixo:

Cite um espetáculo inesquecível que você tenha participado.
“Cachorro!”, da minha Cia Teatro Independente, ano de 2007.

Tem algum fracasso na carreira? Pode nos contar?
Sim, claro! Alguns… Mas isso relacionado à arte é subjetivo. Nem sempre o que é sucesso é bom, ou o que é fracasso é ruim. Lidaremos muito com isso a vida toda!

O que ainda deseja fazer para considerar sua carreira completa no teatro?
Nunca se completará. O teatro é efêmero/vivo/mutável. Pode parecer piegas, mas faço teatro porque preciso. Por isso sempre estarei na busca.

Prefere produzir, dirigir ou atuar? Por quê?
Produzir suas idealizações é muito gratificante. Imprimir seu olhar sobre uma obra de arte é um fascínio para nós artistas. Atuar no que eu produzo, diria.

Paulo Verlings ao lado de Debora Lamm no espetáculo "Fatal" Foto: Zô Guimarães/Divulgação

Paulo Verlings ao lado de Debora Lamm no espetáculo “Fatal” Foto: Zô Guimarães/Divulgação

Ator ou atriz você que tem como referência no teatro?
Marco Nanini. Pelo conjunto da obra.

Cite um diretor (a) que você admira?
Vinicius Arneiro. Fundamos juntos a Cia Teatro Independente. É dono de uma sensibilidade ímpar para conduzir o ator.

Um gênero em que prefere atuar?
Uma das grandes vantagens do teatro contemporâneo é a mistura dos gêneros. Isso trouxe uma pluralização dos gêneros. Gosto de tudo e todos.

Um profissional com quem tenha mais afinidade para trabalhar no teatro?
Sou fascinado por teatro, pelos profissionais de teatro. Poucas coisas são mais prazerosas do que criar em arte. Minha mulher, Carolina Pismel, certamente é a minha maior parceria no teatro.

Na sua opinião, qual é o maior desafio na carreira de quem trabalha com teatro?
Fazer teatro. Isso é um ato de resistência. Necessita-se de uma vocação absoluta para manter-se na profissão. O teatro é justo, ele sobreviveu até aqui.

Se não trabalhasse com teatro, que profissão teria escolhido?
Não faço a menor ideia! (risos)

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