“Corta!”: cada um sabe o quê está fazendo

Gilberto Bartholo

Gilberto Bartholo

67 anos, é ator, professor, crítico teatral e jurado do Prêmio Botequim Cultural.

Que diferença faz um sinal de pontuação!

O título deste artigo (NÃO O CONSIDEREM UMA CRÍTICA, POIS É MUITO SUPERFICIAL, PARA SER ASSIM CONSIDERADO), seguido de um ponto de exclamação (“CORTA!”), poderia sugerir que eu fosse escrever algo sobre cinema. Não! Não me atrevo. Cinema não é a minha praia. É de TEATRO mesmo que falarei.

Quero, de saída, deixar marcadas duas observações. A primeira é a de que, quando alguém pensa em montar um espetáculo de TEATRO, pode ter vários objetivos; um, porém, há de predominar.

A segunda é que, quando me proponho a sair de casa, para ir a um teatro, o que faço diariamente, levo comigo uma expectativa, em função do que procuro saber, antes da decisão.

Na última segunda-feira, dia 8, atendendo a um convite de um querido amigo, MÁRCIO AZEVEDO, fui à sessão VIP de um espetáculo, que acabou de estrear no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea.

Chama-se “CORTA!”, com BETO CARRAMANHOS e DADÁ COELHO, e é apenas uma comédia, despretensiosa, mas muito engraçada, que cumpre o seu objetivo primeiro: divertir, fazer rir, sem pensar em nada.

Com tal propósito ela foi montada, e era exatamente o que eu esperava ver. E precisava muito, num dia que foi muito difícil e “pesado” para mim. Consegui me divertir muito, além da minha expectativa.

Fui ao teatro apenas para me divertir e não me arrependo. Pelo contrário, sugiro a quem esteja precisando de algo para se distrair, dar boas gargalhadas.

Há peças para todos os gostos, e públicos para qualquer tipo de peça. Acho isso muito válido, motivo pelo qual parabenizo os envolvidos no projeto “CORTA!”.

Não esperem nada além de uma “bagaça” de bom gosto. Nada de “textão”. São, unicamente, pequenas piadas e historinhas bem engraçadas, ligadas por um “gancho”, nem sempre muito lógico, mas tudo bem… O que vale são as boas gargalhadas que damos, como o casal de atores.

BETO é um iniciante, como ator, que promete, além de ser, a meu juízo, o melhor visagista que temos em atuação.

DADÁ foi, para mim, uma gratíssima surpresa. Para fazer humor, é indispensável que o/a ator/atriz seja, antes de tudo, muito inteligente, de raciocínio rápido. Isso DADÁ tem de sobra. Seus “cacos” são admiráveis e, até mesmo, quando um dos dois esquece o texto, há alguém, da dupla, que salva o outro e provoca muitas gargalhadas num público cúmplice.

A ficha técnica traz nomes de destaque, no TEATRO, tais como Márcio Azevedo e Vini Soares, que escreveram o texto; Márcio Azevedo, na direção; Charles Möeller, na supervisão de direção; Jorge Roriz e José Carlos Vieira, no cenário; Paulo César Medeiros, na iluminação; Jules Vandystadt, na preparação vocal; Ricardo Souza, no figurino; e muitos outros nomes consagrados.

E, agora, “CORTA!”.

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