Com uma história nova a cada dia, Cia. Teatro Voador Não Identificado encena ‘As Mil e Uma Noites’ no Flamengo

Do Rio Encena

 

A companhia TNVI montou a peça a partir dos contos de Sherazade Foto: Renato Mangolin/Divulgação

“As Mil e Uma Noites”, a clássica coletânea de contos populares do Oriente Médio surgida em meados do século IX, acaba de ganhar uma versão contemporânea da Cia. Teatro Voador não Identificado. Com a proposta inovadora e ousada de encenar uma história distinta a cada apresentação, o grupo estreia a peça homônima nessa sexta (29), às 20h, no Oi Futuro Flamengo. O total de “33 sessões únicas” vai até 09/09, também sábados e domingos, no mesmo horário.

Neste total de 33 histórias distintas, o ponto em comum é a narração de Sherazade. Segundo a lenda, o Rei Shariar da antiga Pérsia tomou uma decisão cruel após descobrir a traição da esposa. Fora de si, ele começa a se casar com uma mulher diferente a cada noite, ordenando, porém, que a mulher da vez seja executada na manhã seguinte após o casório, tudo para não ser traído novamente.

Única esposa sobrevivente, Sherazade conseguiu acabar com a matança do rei, permaneceu casada com ele por mil e uma noites seguidas e ainda lhe deu três filhos, graças a um plano mirabolante seu de contar histórias para Shariar. A esta lenda, a Cia. Teatro Voador não Identificado acrescentou depoimentos atuais de refugiados árabes. Na montagem, somente o prólogo se repete, estabelecendo um elo entre as apresentações: a trajetória de Sherazade para evitar sua morte e enganar o rei.

— Boa parte da pesquisa que temos feito na cia. (e que penso ser a chave do teatro contemporâneo) vai contra a noção de teatro como repetição. Nossos trabalhos procuram explorar, sempre que possível, a ideia de ‘apresentação única’, proporcionando para a plateia a vivência de uma experiência que não mais se repetirá — explica o diretor Leandro Romano, que escalou Adassa Martins, Clarisse Zarvos, Elsa Romero, Julia Bernat e Larissa Siqueira para dividirem o papel de Sherazade.

Além das histórias de Sherazade, o texto de Gabriela Giffoni e Luiz Antonio Ribeiro procura também fazer um paralelo entre Brasil e Síria através de cenas que abordam a Primavera Árabe e também fazem uma alusão à luta de poderes na política brasileira.

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