Com trabalhos ao lado de Porchat, Adnet e outros humoristas, autor fala sobre ‘Sucesso’, em cartaz no Centro

Luiz Maurício Monteiro

A comédia está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Centro Foto: Daniel Moragas da Costa/Divulgação

A comédia está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Centro Foto: Daniel Moragas da Costa/Divulgação

Se você já riu assistindo a Fábio Porchat, Tatá Werneck, Bruno Mazzeo, Marcelo Adnet e outros nomes de peso da nova geração do humor, saiba que são consideráveis as chances de essas gargalhadas terem sido provocadas por uma piada de Leandro Muniz. Em 19 anos de carreira, o autor, diretor, roteirista, músico e ator de 38 anos acumula trabalhos com estes grandes humoristas que, mesmo que indiretamente, colaboraram para sua mais nova empreitada: a comédia “Sucesso”, que estreou na última sexta-feira (02/09), no Centro Cultural Justiça Federal, no Centro.

Resumidamente, Leandro tem no currículo textos para TV como “Junto e Misturado” e “Escolinha do Professor Raimundo” (TV Globo); e “Meu Passado me Condena” (Multishow), além de produções teatrais como “Peça por peça” – selecionada para o Concurso Nacional de Dramaturgia do CCBB, em 2007 – e “Relações – Peça Quase Romântica” (2009), que chegou a ser apresentada em Nova York, no fim do ano passado. Em comum com “Sucesso”, esses trabalhos carregam um humor ágil – às vezes até ácido – característica das parcerias entre Leandro e estes comediantes.

No entanto, quem for assistir à peça, dirigida pelo próprio Leandro, não irá encontrar apenas humor. Em conversa com o RIO ENCENA, ele explica que a montagem, obviamente, tem piadas, mas também é pontuada por momentos mais poéticos que dão emoção à trajetória do protagonista –  batizado com o sugestivo nome de Ordinário – um homem que tenta entender porque é um fracassado pessoal e profissionalmente.

– Comecei minha carreira com Os Privilegiados, que sempre foi companhia de humor ácido. Então, de certa forma, estou conectado com o humor dessa geração. Mas quando o Porchat e a Tatá, por exemplo, estão improvisando, num stand-up, o humor é mais frenético. “Sucesso” tem agilidade nos diálogos, mas não é piada o tempo todo. Também tem assuntos delicados que vão causar reflexão, mas de forma leve – pondera.

Leandro Muniz

Leandro Muniz é roteirista, autor, diretor, músico, ator Foto: Divulgação

Sobre esses assuntos delicados, o autor e diretor adianta que as cenas cômicas dividem espaço com os dramas do personagem. A mãe de Ordinário sempre foi ausente e o pai, ele sequer conheceu. Inclusive, de acordo com Leandro, é essa ausência fraterna a responsável pelos momentos de reflexão.

– O histórico familiar dele é barra pesada. Tiramos sarro, mas quando o assunto é o pai, vemos os momentos mais sérios. E acho que precisa ser assim. Gosto da comédia só para rir, mas é fundamental usar o poder da comédia para falar de problemas que afetam a todos – destaca Leandro, completando: – A reflexão é porque o Ordinário é inspirado em situações reais. Todo mundo tem essa pressão da família e da sociedade para ser bem sucedido. E ele é fracassado em tudo: negócios, amor, família. Então a peça é sobre ele tentando resolver sua vida.

Além de humor e reflexão, “Sucesso” tem trilha musical também. Desde que estreou no teatro em 1998 como músico, numa montagem dirigida por Antônio Abujamra (1932-2015) de “O Auto da Compadecida”, Leandro tem procurado colocar música em seus espetáculos. Um exemplo é a esquete “Musical Dísnei”, que ganhou um festival no Rio de Janeiro em 2008 e que deve virar musical no ano que vem. Já em “Sucesso”, essa parte fica a cargo do elenco, que canta e reproduz com as próprias vozes sons de instrumentos como baixo, bateria e guitarra.

– Gosto de misturar humor e música. No elenco tem atores de um grupo vocal do Rio, os Gogó Boys, que inclusive já dirigi – encerra.

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