Com passagem pela China, peça com abordagem peculiar sobre guerras chega ao Sesc Ginástico

Do Rio Encena

A peça é dividida em quatro atos Foto: Carlos Araújo/Divulgação

A experiente Cia Teatro Balagan começou nesta quarta-feira (13) a sua primeira incursão pelo Rio de Janeiro. Com passagens por diversos palcos Brasil afora e até por um festival na China, o grupo paulistano estreou o espetáculo “Cabras: Cabeças que Voam, Cabeças que Rolam” no Teatro Sesc Ginástico, onde segue somente até o próximo dia 24, com apresentações de quarta a sábado às 19h e domingos, às 18h. Com texto de Luís Alberto de Abreu e direção de Maria Thaís, a peça tem como tema central a guerra, mas com uma abordagem diferenciada.

A companhia, que está comemorando 20 anos de estrada, se inspirou no cangaço, em movimentos de resistência ao Estado e nas revoltas que quase sempre terminavam com seus líderes decapitados para contar as 20 pequenas histórias que formam o espetáculo e são divididas em quatro atos.

Cada um destes atos é marcado por uma cor e representa um aspecto diferente da experiência humana quanto à guerra. O azul é a guerra parental, a tensão entre grupos familiares; o branco é a guerra relacionada à cor, como a escravidão dos negros, a submissão do mestiço e a dizimação cultural do índio; o vermelho é a guerra refletida nas manifestações sagradas e nas festividades; o marrom é a sensação de paz que se intercala com as guerras.

— Foi um trabalho longo e bastante coletivo. A inspiração veio principalmente da pesquisa dos temas Festa, Fé e Guerra que fizemos com o grupo e sobretudo com a diretora Maria Thaís. O universo da cultura ameríndia e principalmente o universo nordestino dos habitantes da caatinga e do cangaço foi o nosso material de pesquisa — conta o autor Luís Alberto, que viajou pelo país por quase quatro anos para investigar as matrizes da cultura popular.

Prêmio Shell de Melhor Música em 2016 em São Paulo, “Cabras” apresenta um repertório musical que também é uma criação coletiva. entre os atores, o diretor musical Dr. Morris e o músico Alício Amaral. A partir de dois instrumentos, a voz e a rabeca, a trilha conta com músicas originais, cantos tradicionais de Brasil, México e Colômbia, além de outros que remetem ao cangaço.

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