Com forte trabalho corporal e elenco feminino, ‘Cavar um Buraco não ver o Buraco’ estreia no Cosme Velho

Do Rio Encena

O elenco da peça é formado somente por mulheres Foto: Bruna Lopes/Divulgação

Com texto da poeta visual Maria Isabel Iorio, o espetáculo “Cavar um Buraco não ver o Buraco” estreia nessa sexta-feira (02), às 20h, no Galpão Ladeira das Artes, no Cosme Velho. Dirigida por João Pedro Madureira e pela própria Maria, que está debutando em ambas funções, a montagem da companhia gaúcha “vai!ciadeteatro” – fundada há 10 anos por João – fala de deslocamentos, fronteiras da sociedade atual e de processos colonizatórios a partir de um trabalho corporal minucioso de seu elenco 100% feminino.

No palco, Andressa Lee, Júlia Horta, Katherina Amsler e Nathalia Gastim interpretam quatro mulheres, que não se conhecem, reunidas à espera de uma viagem sem volta. Enquanto aguardam a partida, elas começam a refletir sobre o espaço – físico e simbólico – que seus corpos ocupam. Tal ideia de uma excursão com passagem só de ida, a propósito, surgiu a partir de uma reportagem sobre um projeto de colonização de Marte, o MARS One, que pretende enviar humanos para ficarem definitivamente no planeta vizinho.

— Mais do que falar sobre onde chegaremos, queremos pensar de onde partimos, o que ainda pode se mover nas trajetórias — comenta Maria Isabel, explicando que os diálogos e imagens corporais representam não só o pensamento, mas também a realidade das personagens — As ações das personagens se dividem entre o que existe e podemos ver por fora e o que realmente se dá no organismo, dentro de cada uma.

Sobre a proposta de escalar um elenco integralmente feminino para a peça, João Pedro justifica:

— É um projeto composto majoritariamente por mulheres, que fala sobre a mulher. Acho extremamente importante falarmos disso agora. Desse levante feminino — conclui.

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