Com Caio Blat, ‘Grande Sertão: Veredas’ chega com inovações ao CCBB

Do Rio Encena

Leon Góes, o vilão Hermógenes, à frente de Luísa Arraes (E), Caio Blat e os outros jagunços

Após uma temporada bem repercutida em São Paulo, “Grande Sertão: Veredas”, versão da diretora Bia Lessa para o famoso romance de Guimarães Rosa (1908-1967) lançado em 1956, chega ao Rio de Janeiro para dois meses no CCBB, no Centro. Com um elenco de 10 atores liderado por Caio Blat, o espetáculo entra em cartaz nesse domingo (28) e segue até 31 de março, com apresentações de quarta a domingo às 21h que trarão ao espectador carioca inovações em termos de encenação.

Trata-se de um espetáculo/instalação, no qual as duas horas e 20 minutos de trama acontecem numa espécie de gaiola instalada na rotunda que fica na área de convivência do centro cultural. Esta estrutura tubular, aliás, estará disponível diariamente para ser visitada e experimentada pelo público. Outra novidade é a tecnologia de áudio utilizada na montagem: serão disponibilizados para cada espectador fones de ouvidos para que possam ouvir separadamente a trilha sonora, as vozes dos atores, os efeitos sonoros e os sons ambientes. A ideia é proporcionar uma maior interação com a dimensão sonora do espetáculo.

Nestes fones, o público poderá ouvir, claro, o protagonista Riobaldo, papel de Blat, narrando sua epopeia sertão a dentro em companhia de outros jagunços, interpretados por Luísa Arraes e Leonardo Miggiorin, entre outros. Entre os episódios desta empreitada, estão o embate de Riobaldo com Hermógenes (Leon Góes), seu maior inimigo; seu pacto com o diabo; e o encontro com Diadorim (Luíza Lemmertz), seu grande amor.

Para compor a atmosfera de sertão, o aderecista Fernando Mello da Costa criou 250 bonecos de feltro em tamanho humano que ajudam a montar a cena da morte de Diadorim como um presépio. Este espaço, inclusive, pode contar com a participação do público, não apenas como espectador, mas também como agente da ação, ocupando o lugar da personagem.

Riobaldo (Blat) e seu grande amor, Diadorim (Luiza Lemmertz) Fotos: Roberto Pontes/Divulgação

Já a trilha sonora é formada por três camadas. São elas: a música composta por Egberto Gismonti, os ruídos e sons ambientes e o repertório de músicas que fazem parte do imaginário comum. Os figurinos são uma leitura do sertão, mas sem necessariamente regionalizar os personagens.

Em São Paulo, antes de montar “Grande Sertão: Veredas”, Bia Lessa levantou uma exposição baseada na obra de Guimarães Rosa para inaugurar o Museu da Língua Portuguesa, em 2006. Já o espetáculo faturou o Prêmio APCA (AssociaçãoPaulista de Críticos de Arte) como Melhor Direção e ainda foi indicado ao Shell nas categorias Direção, Ator (Caio Blat) e Música (Egberto Gismonti).

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