‘Cinderela de gato e sapato’ faz bonito na parte vocal, que se sobrepõe aos outros elementos

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

31 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Nada que precise ser dito aqui sobre a história de Cinderela, a famosa “gata borralheira”. Felizmente, a peça em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, “Cinderela… De Gato e Sapato”, vê da mesma maneira e não foca na exposição da história bastante conhecida no Brasil através do famoso clássico da Disney.

A peça não perde tempo em introduções ou apresentações de personagens. E inova na abordagem: desloca o núcleo da trama da relação de Cinderela com os ratinhos para a relação entre as duas irmãs e a madrasta, que são também o trio cômico do espetáculo, que se soma à fada madrinha, Cinderela, o príncipe e o ministro, numa configuração enxuta de elenco.

Cenário e figurino são também econômicos. O primeiro distingue apenas dois ambientes: a sala da casa onde vivem Cinderela, madrasta e irmãs; e o palácio do príncipe, caracterizado por um telão que rapidamente entra e sai de cena, algumas vezes. O figurino consegue instaurar o clima do clássico infantil, sem a necessidade de trocas de roupa absurdas e apressadas.

A parte vocal é o grande mérito da montagem, que traz não só belas músicas e arranjos, como um elenco que dá conta do recado. Os outros elementos e as cenas não cantadas não alcançam o mesmo nível de qualidade. Mas nada comprometedor.

No final das contas, a história é contada e o trio cômico funciona, ainda que exista uma busca forçada pela graça em alguns momentos.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas e sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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