Carnaval e teatro

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

30 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

O carnaval chegou! E, no Rio de Janeiro, isso é sinônimo de cidade suspensa; tem gente que gosta, tem gente que não gosta; independentemente se você curte ou não curte, não se faz nada, é carnaval! A maior parte do circuito teatral para, por exemplo. Temos até a brincadeira que “o ano só começa depois do carnaval”. Então por que não falamos dele!?

Existem algumas versões sobre o início do carnaval antes de sua cristianização. Uma delas remonta a Roma antiga, às festas Saturnais, que aconteciam em louvor ao deus Saturno (Cronos, na mitologia grega, deus do tempo). Nas Saturnais, os papéis se invertiam: escravos se fantasiavam e imitavam seus senhores, e vice-versa. Bem parecido com teatro, não? O pior é que tem mais: as Saturnais, por sua vez, carregam algumas semelhanças e podem ter sido baseadas nas Dionisíacas, rituais gregos em louvor a Dionísio, deus do vinho e… deus do teatro! O surgimento do teatro é convencionalmente associado às Dionisíacas.

Como parte do ano litúrgico (ou seja, do calendário cristão), tem como uma de suas expressões mais antigas e conhecidas o carnaval de Veneza, onde os nobres se disfarçavam para sair pela cidade e misturar-se com o restante da população. Daí as máscaras, tão características do carnaval veneziano até hoje. Da Itália, a tradição do carnaval se espalhou pela França e pela península ibérica (Espanha e Portugal), e de lá para o Brasil.

Por aqui, o carnaval recebeu a influência da cultura africana e afro-brasileira, o que acabou gerando uma ruptura, em meados de 1840, entre “carnaval” –salão branco, com entrada paga e desfile de carros alegóricos realizado em casas, clubes privados e teatros – e “entrudo” –festa da rua, popular e negra. Felizmente, hoje esta separação já caiu por terra, todos nós já chamamos tudo de carnaval e curtimos juntos, né? (hoje mesmo eu fui na comemoração de 100 anos do Bola Preta! ;P)

É também através do Carnaval, que figuras da Commedia dell’Arte(gênero de teatro italiano que tem a maior duração da história do Ocidente), como Pierrô, Arlequim e Colombina, incorporam-se ao folclore urbano nacional. O que nos liga, de novo e agora diretamente, à Itália, que também foi a principal influência do nosso teatro musical (meu doutorado! Hehe).

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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