Bem humorada, Ana Carolina Sauwen ‘revela’ com quem tem afinidade para trabalhar no teatro: ‘Meryl Streep’

Do Rio Encena

Ana Carolina é atriz e palhaça e tem uma carreira de 16 anos Foto: Renato Neto/Facebook

Ana Carolina é atriz e palhaça e tem uma carreira de 16 anos Foto: Renato Neto/Facebook

Uma questão recorrente defendida entre os humoristas é que eles não têm obrigação de ser engraçados o tempo todo. Assim também acontece com os palhaços. Ninguém passa 24h por dia protagonizando trapalhadas ou contando piadas. Mas no caso de Ana Carolina Sauwen seu humor fora do ofício ficou evidente nessa conversa com o RIO ENCENA. Perguntada com quem tem afinidade para trabalhar nos palcos, ela falou do seu trabalho com o grupo Bando de Palhaços, mas não perdeu a oportunidade de fazer graça ao ressaltar uma fantasiosa sintonia com a atriz norte-americana Meryl Streep, uma das maiores estrelas de Hollywood atualmente, ganhadora três vezes do Oscar e oito do Globo de Ouro.

– Mas ela ainda não sabe – brinca a atriz e palhaça carioca que aos 32 anos de idade e 16 de carreira, acumula 17 espetáculos no currículo, inclusive “Jogo!”, em cartaz atualmente no Teatro Ipanema.

Além do humor, outra marca que Ana carrega é a versatilidade. Formada em artes cênicas pela Unirio, a carioca rompe os limites do palco teatral para explorar toda sua vertente criativa, com improvisação e alegria. Prova disso são suas participações no Programa Enfermaria do Riso e com os Doutores da Alegria, grupos que procuram levar alegria e espontaneidade a pessoas que enfrentam problemas de saúde. Já na TV, ela esteve recentemente no programa “A Grande Farsa” (Multishow) ao lado do humorista Wellignton Muniz, o Ceará.

Mas na verdade é no teatro onde Ana realiza a maioria de seus trabalhos artísticos. Entre eles, estão “Clube da Cena”, “A História do Quarto Rei Mago”, “Cabaré dos Ruim” e, principalmente, o solo de comédia física “Lola, La Fabulosa”, que ela aponta como o mais marcante de sua trajetória e vencedor do Prêmio Montagem Cênica.

Ainda no teatro, junto com o Bando de Palhaços, Ana vem desenvolvendo também produções em parcerias, como já aconteceu com a trupe circense “Circo Dux”. Mas e se, por alguma razão qualquer, não pudesse trabalhar com teatro? O que faria? Como não poderia deixar de ser, a versátil artista surpreende: Orquestra sinfônica. Confira essa e outras curiosidades – inclusive a da Meryl Streep – na entrevista abaixo:

Cite um espetáculo inesquecível que você tenha participado.
O meu espetáculo solo, “Lola, la Fabulosa”, que montei em 2012, foi muito marcante por proporcionar um aprofundamento na investigação sobre a comédia física que já vinha desenvolvendo há alguns anos, inclusive no mestrado. Tem um jogo muito direto com a plateia, que é peça central do espetáculo, então é sempre muito prazeroso e único.

Tem algum fracasso na carreira? Pode nos contar?
Certamente! A nossa carreira é basicamente feita de alegrias indescritíveis e pequenos fracassos cotidianos.

O que ainda deseja fazer para considerar sua carreira completa no teatro?
Acho que para que eu possa pensar em considerar a minha carreira completa faltam pelo menos uns 50 anos. Nesse intervalo, espero realizar muitos espetáculos, fazer uma grande tragédia, viajar o mundo inteiro com um mesmo trabalho, contar com um patrocínio permanente para a minha companhia, o Bando de Palhaços, realizar um monólogo a partir da obra da Hilda Hilst (esse eu devo fazer lá para os 60) e mais algumas coisinhas. Ai quem sabe.

Prefere produzir, dirigir ou atuar? Por quê?
Sem a menor sombra de dúvida, prefiro atuar, tanto como atriz quanto como palhaça. As duas instâncias investigativas permitem a exploração de um espaço de risco, de escuta para o que está sendo oferecido pelo outro, de troca com a plateia… São espaços permanentes de risco, liberdade e prazer. Também tenho bastante interesse pelo universo da direção e penso que vou aprofundá-lo com o passar dos anos. Já produção é algo que eu já faço e que por um lado considero importante, por me permitir um alto nível de autonomia artística, mas por outro, cansa tanto (risos).

Ator ou atriz você que tem como referência no teatro?
De uma geração mais próxima à minha, Andréa Beltrão. Admiro muito o seu talento e também a forma com que conduziu o seu percurso artísticos. Marília Pêra, é referência absoluta. Maravilhosa, completíssima, fazia escolhas artísticas ousadas… Às vezes perco horas assistindo alguns de seus trabalhos antigos no youtube. Como palhaça, citaria a Gardi Hutter, uma palhaça suíça que é referência para toda a minha geração de palhaças, por ter sido uma das pioneiras a abrir esse mercado, antes completamente dominado pelos homens, para as mulheres.

Ana (C) em ação no espetáculo de palhaçaria "Jogo!" que esteve recentemente no Teatro Ipanema Foto: Marcela Rimes/Divulgação

Ana (C) em ação no espetáculo de palhaçaria “Jogo!” que esteve recentemente no Teatro Ipanema Foto: Marcela Rimes/Divulgação

Cite um diretor (a) que você admira?
Admiro muitíssimo o trabalho do diretor e ator Sérgio Machado, fundador da Cia do Público, junto com Júlio Adrião e Márcio Libar. Ele dirigiu o meu espetáculo solo “Lola, La Fabulosa” e seu profundo domínio sobre as técnicas da comicidade e construção dramatúrgica me trouxeram conhecimentos aos quais serei grata eternamente. Sérgio também é um pesquisador da comédia incrível, ele tem um material gigantesco de filmes e séries na casa dele, faz análises muito detalhadas e profundas… Enfim, o tipo de cara que se morasse num país que tivesse outra relação com a cultura seria reconhecido como um gênio e ganharia muito dinheiro só por existir. rs

Um gênero em que prefere atuar?
Ao longo dos últimos anos, fui me aprofundando cada vez mais no universo da comédia. Tenho um prazer imenso em fazer as pessoas rirem e gosto de estudar as técnicas e os caminhos da comicidade! Por outro lado, tenho bastante vontade de voltar a atuar em outros tipos de espetáculos, com textão bom, personagem…

Um profissional com quem tenha mais afinidade para trabalhar no teatro?
Eu tenho um grupo, o Bando de Palhaços, trabalhamos juntos há sete anos e acho que não existe caminho mais rico para as descobertas e aprofundamentos do que você se debruçar com as mesmas pessoas ao longo de muito tempo no aperfeiçoamento de uma linguagem. Ah! Também tenho muita afinidade para trabalhar no teatro com a Meryl Streep. Mas ela ainda não sabe.

Na sua opinião, qual é o maior desafio na carreira de quem trabalha com teatro?
Sobreviver financeiramente com dignidade e poder continuar fazendo o que acredita.

Se não trabalhasse com teatro, que profissão teria escolhido?
Seria regente de uma orquestra sinfônica. Acho lindo!

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