Baseado na linguagem das histórias em quadrinhos ‘Poderosa Vida não Orgânica que Escapa’ estreia no CCJF

Do Rio Encena

O elenco interpreta os três moradores do prédio que decide desabar Foto: Thaís Grechi/Divulgação

Sétima criação da companhia carioca Teatro inominável, “Poderosa Vida não Orgânica que Escapa” estreia no Centro Cultural Justiça federal, na Cinelândia, na próxima sexta-feira (04/08), às 19h. Com texto de Diogo Liberano e direção de Thaís Barros, o espetáculo se inspira na linguagem das histórias em quadrinho para abordar outros tipos de vida que não apenas a humana. Com ingressos a R$ 20 (inteira), a temporada vai até 24 de setembro, com sessões também sábados e domingos, no mesmo horário.

Para apresentar este ponto de vista que não é o do homem, a peça tem como “personagem central” um pequeno e velho prédio de três andares no centro de uma grande cidade. Descontente com os vícios e fraquezas da raça humana, a construção decide desabar por conta própria, levando junto os três moradores que nela habitam.

– Fazemos uma crítica à condição humana que segue rendida por posturas carregadas de culpa, egoísmo e intolerância. Diante disso, pensa o edifício, seria melhor deixar de ser, não? O gesto deliberado de vir ao chão manifesta não uma desistência na raça humana, mas um chamar de atenção para os rumos que a humanidade, na contemporaneidade, parece estar tomando – analisa Liberano.

“Poderosa Vida não Orgânica que Escapa” é inspirado na graphic novel “O Edifício”, criada em 1987 pelo quadrinista americano Will Eisner. Para levar esta linguagem dos quadrinhos para o palco, Thaís Barros decidiu ocupar a cena progressivamente com os deslocamentos e trajetórias dos atores André Locatelli, Diogo Liberano e Livs Ataíde, acompanhados por uma composição de luzes e sombras, além da atmosfera musical composta originalmente por Rodrigo Marçal.

– A linguagem dos quadrinhos sempre me entusiasmou principalmente por imergir o leitor no universo particular de cada narrativa e ao mesmo tempo fazer com que sua própria imaginação complete todas as lacunas que ficaram em branco. É longe de ser uma história com figuras – acrescenta Thaís.