Baseado em caso real, ‘Gisberta’, com Luis Lobianco, volta a falar sobre transfobia em duas sessões no Teatro Rival

Do Rio Encena

Luis Lobianco estreou o espetáculo em março do ano passado Foto: Elisa Mendes/Divulgação

Luís Lobianco vai abordar nos palcos novamente a questão da transfobia a partir do caso de uma brasileira transgênero assassinada de forma brutal em Portugal, em 2006. O solo “Gisberta” – idealizado pelo próprio ator e baseado em depoimentos de familiares da personagem-título, do processo judicial e de visita ao local do óbito – faz só duas sessões no Teatro Rival, no Centro, nos dias 23 (sexta) e 24 (sábado), às 19h30. Na venda antecipada promocional, que termina nesta quinta, o ingresso sai a partir de R$ 25 (meia).

Com direção de Renato Carrera e texto de Rafael Souza-Ribeiro, o monólogo mistura política, história, música, teatro, humor, poesia e ficção para falar de transexuais e travestis vítimas de transfobia, realidade que assusta no Brasil. De acordo com pesquisa realizada pela ONG (organização não governamental) Transgender Europe (TGEU), foram registrados somente aqui 42% dos 295 casos de assassinatos de pessoas trans ao redor do mundo em 2015.

Já em Portugal, para onde a peça vai em 2019, o assassinato de Gisberta foi a deixa para um maior engajamento nos debates sobre a violência motivada por ódio à classe trans. A brasileira, com isso, se tornou símbolo na conscientização contra este tipo de crime. Como consequência deste movimento, em 2016, dez anos após sua morte, seu nome foi dado ao primeiro centro de apoio à população LGBT do norte português, o “Centro Gis”, em Matosinhos, distrito do Porto.

Nascida e criada no bairro Casa Verde, em São Paulo, Gisberta era caçula numa família de oito irmãos. Desde pequena, já não se sentia confortável com o corpo no qual nascera. Com 18 anos, em 1979, ao ver suas amigas serem assassinadas na capital paulista e se sentindo uma vítima em potencial, decidiu deixar o Brasil rumo a Paris. Anos mais tarde, já após o tratamento hormonal e o implante de silicone, se mudou para Porto, onde começou a trabalhar em bares e boates, e viveu uma vida intensa, com direito a uso de drogas.

Sua situação piorou depois que testemunhou o atropelamento de seus dois cães de estimação. A partir daí, ela, que já era portadora do vírus HIV, mergulhou numa forte depressão, passou a definhar e acabou perdendo o visto de imigrante. Depois, virou moradora de rua, até ser encontrada num prédio abandonado por um grupo de jovens. No início, eles até a ajudaram, mas em seguida, deram início a uma série de maus tratos e torturas, até a jogarem, ainda com vida, num poço cheio d’água. A conclusão do processo foi morte por afogamento.

SERVIÇO

Local: Teatro Rival
Endereço: Rua Alvaro Alvim, 33 – Centro.
Telefone: (21) 2240-4469
Sessões: Sexta (23) e sábado (24) às 19:30h
Elenco: Luís Lobianco
Direção: Renato Carrera
Texto: Rafael Souza-Ribeiro
Classificação: 14 anos
Entrada: Venda antecipada – R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Terça a sexta de 13h a 21; sábado e feriado de 16h a 22h
Gênero: Drama solo
Duração: 90 minutos
Capacidade: 400 lugares

* Segundo informações do teatro e/ou da produção do espetáculo

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