Autor e diretor de ‘Ouroboros’, Adriano Garib faz mistério sobre desfecho da trama, mas avisa: ‘Um p… dramão’

Luiz Maurício Monteiro

O espetculo apresenta o episdio que faz a vida de um casal ganhar uma reviravolta

O espetáculo apresenta o episódio que faz a vida de um casal ganhar uma reviravolta

Um dos vocábulos da moda, spoiler foi tudo o que Adriano Garib não quis entregar ao RIO ENCENA num bate-papo descontraído sobre “Ouroboros”, peça de sua autoria e direção que estreou no Espaço Sergio Porto, no Humaitá, no último fim de semana. A montagem, que segue em cartaz apenas até o próximo dia 27, encena o momento que quebra a rotina de um casal no que a mulher diz ao marido que está interessada por outro homem e que não abre mão de tal experiência. Ele, por sua vez, aceita seguir vivendo ao lado dela. E isso é tudo o que o espectador sabe antes de sentar em sua poltrona. Não que a economia de revelações por parte de Garib seja uma tentativa banal de fazer mistério, mas sim uma estratégia para fazer o público chegar “cru” ao teatro e se surpreender a cada desdobramento da história, que, segundo o próprio, é um drama daqueles.

Garib trabalhou no projeto de "Ouroboros" por cerca de 18 meses Foto: Dani Ennes/Divulgao

Garib trabalhou no projeto por cerca de 18 meses Foto: Dani Ennes/Divulgação

– O que soa estranho é eles continuarem morando juntos. Mas depois você entende o porquê. No decorrer da peça, vários mistérios vão sendo revelados. E o interessante é que primeiro o público conhece as consequência e depois as causas. É ao contrário! E é um p… dramão, do jeito que eu gosto. É um melodrama no bom sentido, o gênero literário, não de novela. E com um p… cenário,  um p… figurino e uma p… trilha sonora – vibra Garib, que ficou debruçado sobre o projeto por cerca de um ano e meio, desde a concepção da ideia até a estreia.

Sobre o título do espetáculo, trata-se de uma expressão de origem grega que significa algo como a serpente que come a extremidade oposta, ou seja, a cauda, o que pode ser interpretado como um momento de renovação. Segundo Adriano Garib, esse termo está diretamente ligado ao desfecho da história que usa o afeto e suas diversas possibilidades como ponto de partida para chegar a temas como amor, sexo, escolhas de vida e até suicídio.

– É um desfecho melodramático de alto nível, na minha opinião. Fala sobre afeto, escolhas de vida e opção entre viver e não viver. Afinal, você tem essa opção! E a expressão significa renascimento, ciclos que se renovam, a cobra dá a volta por si mesma, troca de pele. Ou num sentido involutivo. Mas são ciclos que levam a algum lugar. Tem a ver com o segredo, mas só assistindo para saber – desconversa o paulistano de Gália, de 52 anos, que fez sucesso como o Russo da novela “Salve Jorge” (2012), da TV Globo.

Manoel Madeira e Anita Mafra em cena de "Ouroboros" Fotos: Adriano Garib/Divulgao

Manoel Madeira e Anita Mafra em cena de “Ouroboros” Fotos: Adriano Garib/Divulgação

Empolgação pura com o espetáculo, Garib ficou ainda mais animado depois da estreia no último dia 04. Ainda de acordo com ele, as quatro primeiras sessões contaram com um grande público que comprou a ideia da peça.

– Foi maravilhoso! O teatro estava lotado, com o público amando a história, sem tirar o olho do palco, como se fosse uma tela de cinema. Extraordinário! E o que deu para ver, tanto por parte da crítica, dos artistas e do público em geral, é que tiveram um grande interesse pela história, porque a peça é muito bem pensada e extremamente bem executada. Mas sou suspeito para falar, não é? – conclui.