Atriz Maria Carol reestreia comédia ‘Caos’ e enaltece ‘mentor’ e tio Jorge Fernando: ‘Presto reverência a ele’

Luiz Maurício Monteiro

Maria Carol tem 35 anos, sendo 20 de carreira artística Foto: Divulgação

“Não sou uma atriz comediante”; “Não tenho um gênero de preferência”. As declarações de Maria Carol na entrevista abaixo, para a seção “Perfis” do RIO ENCENA, mostram que sua prioridade não é a comédia. Entretanto, ao que parece, o destino tem insistido em pregar peças na atriz de 35 anos. Com 20 anos de uma carreira mais voltada para a TV – em que atuou em novelas de humor como “TiTiTi” e “Guerra dos Sexos” – ela tem no currículo quatro espetáculos, todos com o riso como objetivo maior: “Caos”, que reestreia no próximo sábado (26) no Espaço Sérgio Porto, “Congresso Nacional de Sexologia”, “Tem uma Mulher na Nossa Cama” e “Boom”, o primeiro e mais marcante, ao qual chama de “faculdade”.

E tal expressão não é exagero, garante a carioca. Foi de 1999 a 2014, entre os 15 e os 30 anos de idade, rodando o Brasil com “Boom” que ela aprendeu, se aperfeiçoou e, naturalmente, foi se ligando à comédia. O responsável para que essa trajetória fosse iniciada, a atriz não tem dúvida, foi o ator, diretor e seu tio Jorge Fernando, que a convidou para a peça.

— O Jorge é um cara que me ajudou muito a conduzir meu caminho. Presto reverência a ele, me importo demais com a opinião dele. Foi uma pessoa marcante — exalta Carol, que está a caminho de sua oitava novela na TV Globo, “Verão 90”, com estreia prevista para janeiro de 2019.

Mas enquanto as gravações do folhetim não começam, a atriz se concentra apenas em “Caos”. O espetáculo tem texto da sua companheira de cena, Rita Fischer, que usa o bom humor para falar de situações caóticas das quais ninguém escapa na cidade do Rio de Janeiro. E nesta linha tênue entre o trágico e o cômico, Maria Carol usa justamente sua rodagem no humor, além do próprio jeito de quem sabe rir de si mesma, para amenizar os dramas relatados no palco.

— O texto conta situações que ela viveu no Rio. E são coisas tão angustiantes, dramáticas, que você acaba rindo. E minha experiência na comédia, e também na vida, ajudou a dar mais leveza àquilo que, dito de outra forma, poderia ficar pesado — explica.

Espetáculo mais marcante da carreira?
“Boom”, porque foi onde aprendi tudo. Não só por estar ao lado do Jorge, que foi um grande mestre, mas pela oportunidade de percorrer o país, conhecer os principais teatros de outras cidades e aprender mais de comédia, o quê foi muito importante para mim. Costumo dizer que “Boom” foi minha faculdade.

Ao lado de Rita Fischer, ela reestreia a comédia “Caos” no próximo sábado Foto: ZBR Comunicações/Andrea Rocha

Um fracasso?
Acho que todo mundo, na vida pessoal e profissional, tem altos e baixos. Só se pontua o sucesso quando se tem o fracasso para poder comparar, ter os dois pontos de vista. Até para valorizar um trabalho, é preciso passar por perrengues. Até em trabalhos que duram um tempo maior, pode acontecer. No próprio “Boom”, tivemos temporadas de sucesso e também de fracasso, sem público. Em algumas cidades, os ingressos esgotavam, mas em outras, tínhamos só 10 pessoas na plateia. Não tem receita para sucesso ou fracasso. Não dá pra saber.

Trabalho dos sonhos?
O sonho é conseguir viver no Rio de Janeiro de hoje pagando todas as minhas contas. Viver de arte, trabalhando como atriz. Viver apenas disso. Esse é o grande sonho, não só meu, mas de muita gente. Como atriz, vou querer contar todas as histórias que puder, as mais engraçadas, com personagens diversos… Quero contar o máximo. Mas antes, meu sonho mesmo é esse, viver de arte no Rio.

Não se vê em que tipo de trabalho?
Não me vejo em propaganda eleitoral. Independentemente da personagem mal caráter, homofóbica, racista, nós temos que mostrar, porque isso existe. Precisamos falar de todos estes problemas. Mas não faria algo que agredisse a minha verdade, porque o que quero passar é justamente a verdade. Então, programa eleitoral, atualmente, estou fora.

A peça brinca com as situações caóticas que costumam acontecer no Rio de Janeiro

Como recebe as críticas em geral?
A gente gosta de receber quando a crítica é bem colocada. Não tenho problema com crítica, até porque sou crítica comigo. Tem atores que não gostam de se ver, não gostam da sua imagem. Não tenho problema com isso. Já vou para minha oitava novela, já me vi muito, aprendi a entender minha imagem. Então, recebo bem todas as críticas, procuro absorver tudo de positivo.

Uma referência no teatro?
O Jorge é um cara que me ajudou muito a conduzir meu caminho. Presto reverência a ele, me importo demais com a opinião dele. Foi uma pessoa marcante. Mas teve outro, o Ary Koslov, que é incrível. O Marcus Alvisi, um cara que vem do besteirol, e admiro muito.

Um gênero de preferência?
Não sou atriz comediante, mas tive mais oportunidades de aprender a fazer comédia do que drama. Não tenho gênero de preferência. Prefiro o que estou fazendo no momento. Mas, para mim, a comédia está cada vez mais inserida em tudo. Sou assim, prefiro rir de mim mesma e tentar resolver do que deprimir.

Maior desafio na carreira de um artista de teatro?
Foi como disse: todo artista sonha com a estabilidade profissional e financeira para poder viver de arte, para ter conforto para escolher qual peça fazer, ter certeza de que vai dar certo. Ainda mais neste momento. Espero que vá melhorar. O artista sempre está nesta corda bamba, e é isso que nos motiva. Mas poder escolher o que vai fazer é o ideal.

Já pensou em desistir da carreira?
Muitas vezes. Quando mais jovem, fiz faculdade, me formei em moda, fiz nutrição por um ano. Nestes altos e baixos, é óbvio que pensava em fazer outra coisa. Mas não consigo, estou sempre às voltas com produções, e as coisas acabam rolando. Acho que era mais desespero de quando era jovem. Hoje em dia, com maturidade e maior estabilidade, é diferente.

Se não trabalhasse com teatro, seria…
Moda, porque adoraria ser figurinista, estilista, até faço isso às vezes. Ou trabalharia na área de saúde, com nutrição ou educação física. Alguma coisa com o corpo.

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