Ator e diretor Sergio Módena revela admiração por Marília Pêra e relembra primeiro encontro com a atriz: ‘Sábia!’

Do Rio Encena

Sergio Módena começou a trabalhar como diretor em 2012

O ator e diretor Sergio Módena, 41 anos, nasceu em Penápolis (SP)

Idolatria não é apenas de fã para artista, mas entre os próprios artistas também. Um exemplo de quem venera um colega de profissão é Sérgio Módena que guarda com carinho na memória a primeira vez em que esteve frente a frente com a diva Marília Pêra (1943-2015). Neste encontro, o ator e diretor, natural de Penápolis (SP), perguntou à atriz o que era necessário para ser um artista de teatro e ficou tocado com a seguinte resposta:

– Seja persistente e jamais aceite a canastrice – disse Marília, na época.

E ao que tudo indica, Módena seguiu os conselhos à risca. Aos 41 anos, ele, que acredita que nunca se sentirá um artista completo, tem um currículo respeitável: formado em artes cênicas desde 1994 pela Unicamp, e graduado também pela École Philipe Gaulier, em Londres, já atuou em 14 espetáculos, escreveu para dois e dirigiu oito.

Destas montagens que dirigiu, a mais recente é “O Último Lutador”, que está em cartaz no Teatro dos Quatro, na Gávea. Antes disso, desde que começou a dirigir em2012, esteve à frente ainda de outras peças que, inclusive, receberam indicações a importantes prêmios do teatro carioca: “Ricardo III”, (Cesgranrio, Shell, APTR e FITA); “A Arte da Comédia”, (Cesgranrio, Shell e FITA) e os musicais infantis “Sambinha” e “Bossa Novinha” (Zilka Salaberry e CEBTIJ). Saiba mais sobre o Sergio Módena na entrevista abaixo que ele concedeu ao RIO ENCENA:

Cite um espetáculo inesquecível que você tenha participado.

A primeira vez que pisei no palco. Foi na montagem de “Gota D’ Água” com Bibi Ferreira. Eu interpretei um dos filhos dela (aos sete anos de idade) em algumas cidades no interior de São Paulo. Ainda guardo a assinatura dela na minha cartilha do ginásio.

Tem algum fracasso na carreira? Pode nos contar?

Não citaria algo específico, até porque o que entendemos como sucesso e fracasso pode ser bastante relativo. Já participei de espetáculos brilhantes que não foram bem de público, por exemplo. Teatro é um tiro no escuro. E essa também é sua beleza.

O que ainda deseja fazer para considerar sua carreira completa no teatro?

Acho que o artista jamais se considera satisfeito artisticamente. Logo a ideia de uma carreira completa é sempre utópica. Mas ficarei feliz se puder fazer teatro até morrer.

Prefere produzir, dirigir ou atuar? Por quê?

Dirigir. Eu gosto da ideia de conceber artisticamente um espetáculo, pensar na melhor maneira para transpor para o palco o texto que tenho em mãos. É uma responsabilidade grande, mas também um prazer imenso. Me formei como ator, mas sempre soube que um dia iria dirigir.

Entre 2012 e 2015, Módena dirigiu oito espetáculo, inclusive "O Último Lutador", em cartaz na Gávea Foto: Divulgação

Entre 2012 e 2015, Módena dirigiu oito espetáculo, inclusive “O Último Lutador”, em cartaz na Gávea Foto: Divulgação

Ator ou atriz você que tem como referência no teatro?

Marília Pêra me inspirou demais quando eu ainda morava no interior de São Paulo. Fui falar com ela após uma peça. Perguntei o que era preciso para ser um artista de teatro. Ela respondeu com um sorriso: seja persistente e jamais aceite a canastrice. Sábia!

Cite um diretor (a) que você admira?

Antunes Filho.

Um gênero em que prefere atuar?

Não tenho preferência.

Um profissional com quem tenha mais afinidade para trabalhar no teatro?

São inúmeros parceiros que gosto e admiro muito. Seria injusto citar somente um.

Na sua opinião, qual é o maior desafio na carreira de quem trabalha com teatro?

A persistência e auto critica. E também uma boa preparação. Nada pior do que um ator mal preparado, sem estudo e sem uma compreensão ampla da carreira.

Se não trabalhasse com teatro, que profissão teria escolhido?

Quando eu era criança achei que seria cartunista. Sempre desenhei muito.  Poderia ter sido um caminho.