Após um ano em cartaz, “A Outra Casa” mantém sua consistência

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

30 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Em maio de 2016, assisti a “A Outra Casa” (para ler a crítica anterior, clique aqui), na época, no Teatro Candido Mendes. Agora, em cartaz no Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon, quase um ano depois, voltamos a falar desse espetáculo.

No Café Pequeno, espaço simpático e único no bairro para peças mais intimistas e de menor porte, “A Outra Casa” não perde sua consistência e suas principais qualidades, fato que às vezes acontece com peças depois de muito tempo em cartaz ou quando mudam de teatro. Felizmente, os espaços do Candido Mendes e do Café não são tão diferentes, e o cenário de Doris Rollemberg é bem adaptável.

Helena Varvaki e Gabriela Munhoz permanecem firmes em suas construções: a primeira da protagonista sem chão, que alterna entre a dúvida e a agressividade diante do que parece não fazer sentido para ela; a segunda imprimindo força e determinação nas atitudes de suas personagens frente ao embate com a protagonista.

Savio Moll, no papel do marido da protagonista, faz uma construção um pouco diferente de Marcos França, o ator anterior no papel. O carinho do segundo dá lugar à perplexidade do primeiro. Enquanto em Marcos França víamos um companheiro mais amoroso e ansioso por resolver a doença da esposa, com Savio Moll vemos mais a dificuldade de encarar a médio e longo prazo uma situação de impotência frente à doença. Duas construções igualmente pertinentes e interessantes de presenciar.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas e sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.

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