Após polêmica envolvendo suposta censura, espetáculo ‘Nascituros’ estreia no Castelinho do Flamengo

Do Rio Encena

“Nascituros” faça em preconceitos, direitos e escolhas a partir da temática LGBT Foto: Julia Viana/Divulgação

O espetáculo itinerante “Nascituros” finalmente vai estrear no Castelinho do Flamengo, o Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho. Depois de uma grande polêmica entre artistas e a prefeitura do Rio de Janeiro, gestora do local que cancelou na primeira semana do mês uma programação que tinha como gancho “o outubro da diversidade”, a peça do Tríptico Coletivo entra em cartaz nessa quinta-feira (19), às 20h.

Em vez dessa quinta, “Nascituros” deveria ter estreado no último dia 05, assim como as outras atrações da programação – e principais alvos do suposto veto – entre elas, o espetáculo paulista “Bicha oca” e exposições de fotografias, artes visuais e performances, tudo voltado para o público LGBTQ. Enquanto a classe artística, que chegou a se manifestar nas ruas, chamou o cancelamento da programação de “censura moral”, a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) justificou sua decisão alegando uma pane elétrica no centro cultural, ocorrida na véspera.

Apesar da suposta pane, alguns artistas, na ocasião, alegaram ter visto luzes acesas e computadores ligados no Castelinho. Somado a isso, outro fato que os levou falar em censura foi o veto do prefeito Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal, à exposição “Quuermuseu”, no MAR (Museu de Arte do Rio). Para justificar tal decisão, o político postou um vídeo em sua página no Facebook dizendo que a população do Rio “não quer exposição de pedofilia e zoofilia”.

O espetáculo

Com direção de Victor Fontoura, que está estreando na função, e texto de John Marcatto, “Nascituros” conta a história de um casal forçado a se separar após um acidente. Passada uma década, um deles decide escrever uma peça baseada em seu passado, mas acaba surpreendido com o retorno do outro que – ironia do destino! – quer vetar a conclusão do texto, por temer que a revelação de alguns segredos possa proporcionar ainda mais problemas.

Com esta trama, a peça – que por ser itinerante, é encenada dentro e fora do centro cultural – trabalha com a temática LGBT para falar em preconceitos, direitos e escolhas, além de discutir os limites do direito coletivo sobre o individual.

– E não é para ser só isso! Porque não deve ser só isso! A vida não segue uma ordem de temas. Impressões nunca são iguais, porque a vida não é igual pra ninguém. Cada pessoa se sente tocada em contextos diferentes, se sensibiliza em momentos diferentes – complementa o autor John Marcatto, que também atua ao lado de Bruno Marques, Mari Bridi e Marilha Galla.

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