Após polêmica e troca de protagonista, ‘Dona Ivone Lara, um Sorriso Negro – O Musical’ estreia no Carlos Gomes

Do Rio Encena

Dandara (E), Heloisa e Fernanda vivem Dona Ivone em fases distintas Foto: Priscila Prade/Divulgação

Após a polêmica sobre tom de pele que fez Fabiana Cozza, primeira opção para viver a personagem-título, pedir dispensa, “Dona Ivone Lara, um Sorriso Negro – O Musical” vai estrear. Apesar do imprevisto, o espetáculo seguiu com suas audições e ensaios para chegar ao palco do Teatro Municipal Carlos Gomes, no Centro, nesta sexta-feira (14), às 19h. A primeira temporada segue com sessões aos sábados, no mesmo horário, e domingos, às 17h, até 25/11, com ingressos entre R$ 20 (meia) e R$ 80.

Escrito e dirigido por Elísio Lopes Jr, o musical é dividido em dois atos e traz a Grande Dama do Samba em três períodos distintos, com uma intérprete para cada. Sem uma ordem cronológica, Dandara Mariana, Heloisa Jorge e Fernanda Jacob – que substituiu Fabiana – interpretam a protagonista, respectivamente, aos 12, 26 e 80 anos, épocas que marcaram sua vida. Da adolescência como interna num colégio à consagração como artista, passando pela fase adulta, quando se casou com Oscar Costa, filho de uma família tradicional da Serrinha, e passou a ver o samba mais de perto.

Além de Dona Ivone Lara, outras relevantes figuras do samba que fizeram parte de sua trajetória estão representadas no palco. Entre elas, Clementina de Jesus, Elza Soares, Gal Costa, Maria Bethânia, Silas de Oliveira, Délcio Carvalho, Rildo Hora e muitos outros. Este espetáculo, aliás, faz parte da Trilogia do Samba, projeto com musicais sobre vida e obra de grandes nomes da cultura nacional que começou em 2017 com “Cartola – O Mundo é um Moinho” e ainda vai apresentar “Alcione – Eu sou a Marrom”.

Polêmica

Em junho passado, Fabiana Cozza foi anunciada como uma das intérpretes de Dona Ivone Lara no musical. A diferença entre os tons de pele da artista e da homenageada, porém, gerou grande polêmica na Internet, principalmente entre integrantes de movimentos negros, que engrossaram a lista de críticas na página oficial da peça no Facebook. A maioria dos comentários questionava o porquê de não ter sido escalada uma atriz negra – ou com tom de pele mais próximo – para o papel.

A escalação de Fabiana para viver Dona Ivone rendeu polêmica pelo tom de pele da artista Foto: Divulgação

Na época, Elísio Lopes Jr, autor e diretor do espetáculo, se disse surpreso com a repercussão negativa. Ele lembrou que a cantora havia sido uma escolha da própria família de Dona Ivone. Reforçou ainda que Fabiana – vencedora do Prêmio Música Brasileira 2005 na categoria “Melhor Cantora de Samba” – estava apta a protagonizar a montagem por ter uma relação íntima com o samba e com a própria homenageada – já gravaram e se apresentaram juntas – além de ser, sim, negra.

Os argumentos e a defesa do diretor, no entanto, não evitaram que Fabiana pedisse para deixar o projeto dois dias depois. Num trecho de uma carta publicada em sua conta no Facebook, ela alegou que estava renunciando “por ter dormido negra numa terça-feira e numa quarta, após o anúncio do meu nome como protagonista do musical, acordar “branca” aos olhos de tantos irmãos”.

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