Aos 59 anos, Françoise Forton comenta dose dupla no Teatro do Leblon e revela segredo da preparação: ‘Dormir bem’

Luiz Maurício Monteiro

Aos sábados, Françoise tem menos de duas horas entre uma peça e outra Foto: Pedro Murad/Divulgação

Se um é pouco, dois parece ser a medida certa para Françoise Forton, atualmente em jornada dupla no Teatro do Leblon. Nesta sexta-feira (07), ela estreou “Um Amor de Vinil”, mesmo espetáculo com o qual se apresenta neste sábado (08), não sem poucas horas antes iniciar a temporada de “Nós Sempre Teremos Paris”. Ambos são musicais e ficam em cartaz até o fim de maio, período no qual a experiente atriz de 59 anos – sendo 50 de carreira – precisará lançar mão de toda a sua preparação física e vocal, que inclui balé, academia, aulas de canto e, principalmente, fundamentais horas de sono.

– O melhor remédio para a voz é o sono. Menos de oito horas não me satisfaz. Tenho dormido umas nove horas por noite – confessa, em entrevista ao RIO ENCENA, a carioca, que em 2015, aos 57, se destacou pela boa forma no quadro Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão (TV Globo).

Tamanho cuidado com corpo e voz, claro, tem porquê. Se na sexta e no domingo Françoise atua em apenas um espetáculo, no sábado ela faz os dois, somando um total de 140 minutos praticamente ininterruptos, além de um repertório casado de 34 canções: 21 clássicos da música popular brasileira em “Um Amor de Vinil” e 13 músicas de “Nós Sempre Teremos Paris”, todas cantadas em francês, o que chega a emocionar a atriz filha de um francês com uma brasileira.

– Para mim, é uma homenagem à minha origem, à minha falecida mãe. Gostaria muito que ela tivesse visto, porque em casa a gente se falava em francês. Infelizmente, não tive essa chance – lamenta Françoise, que perdeu a mãe em 1993.

Sobre as peças, “Um Amor de Vinil”, dirigido por André Paes Leme e escrito por Flávio Marinho, conta uma história de amor que nasce numa loja de discos, daí o título. O interesse em comum pela música aproxima uma ex-atriz de musicais e dona do empreendimento de seu cliente mais assíduo. A questão é que ele é casado e fiel.

“Nós Sempre Teremos Paris” relata um reencontro romântico na capital francesa 20 anos depois Foto: Priscila Prade/Divulgação

Já em “Nós Sempre Teremos Paris”, com direção de Jaqueline Laurence e dramaturgia de Artur Xexéo, a trama se passa num café no Boulevard Montparnasse, na capital francesa. O local serve de cenário para o reencontro, 20 anos depois, de um homem e uma mulher que passaram uma tarde juntos (no mesmo estabelecimento), se apaixonaram, descobriram vários pontos em comum, mas se separaram. Agora, novamente frente a frente, eles retomam o que poderia ter se concretizado em romance duas décadas antes.

Animada com a empreitada em dose dupla, Françoise, que é casada com Eduardo Barata, produtor dos espetáculos e presidente da Aptr (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro), fez questão de elogiar também a dobradinha com Maurício Baduh, com quem contracena nas duas peças de forma direta quase que integralmente, já que os elencos são enxutos. Confira a entrevista completa abaixo:

Como tem se preparado para essa jornada dupla? O fato de as duas peças serem musicais aumenta o desgaste?

O físico e a saúde vocal precisam estar muito bem cuidados. E aprendi a me cuidar há muito tempo. Faço balé clássico quando posso, vou à academia Espaço Stella Torreão, que é totalmente voltada para saúde… Procuro manter uma alimentação saudável, faço aula de canto, fonoaudiologia… Mas a melhor coisa é dormir bem, dormir bastante, descansar. O melhor remédio para a voz é o sono. Menos de oito horas não me satisfaz. Tenho dormido umas nove horas por noite.  Enfim, é um conjunto de coisas que me permitem fazer as duas peças. Cansa porque fazer dois espetáculos é diferente de fazer um, mas o teatro é mágico. Lá, você não pensa em mais nada. Vem um e depois o outro. Digo que aos sábados, viajamos a Paris e logo depois já estamos no Rio (risos).

Um espetáculo chega a ser mais desgastante que o outro?

São personagens distintos. “Um Amor de Vinil” tem 21 canções, com uma hora e meia de duração, e eu faço a Amanda, que é extrovertida, alegre, já trabalhou em musicais e agora tem uma loja de discos. Ela dança, brinca com os instrumentos… Já em “Nós Sempre Teremos Paris”, faço uma turista brasileira num Café, numa outra dinâmica. Mas, de qualquer modo, é uma peça de uma hora, também com um número considerável de músicas. Mas o que me move e minimiza essa questão da preparação é o prazer e a oportunidade de fazer os espetáculos. Isso é a melhor coisa. Estou feliz por fazer ambos.

Françoise garante que o entrosamento com Maurício Baduh está em dia Foto: Ricardo Brajterman/Divulgação

Aos sábados, entre o fim do primeiro espetáculo e o início do segundo, você tem pouco menos de duas horas de intervalo. Como pensa em aproveitar esse tempo?

Vou passar as músicas, testar microfones, checar a contrarregragem… Quando acabar o “Paris”, vou para um outro mundo. Vou chamar a Amanda e falar: “Vem cá, chega perto. Vamos nos divertir” (risos). Quando trabalhava com o (diretor Antonio) Abujamra na Cia. Os Fodidos Privilegiados (em meados dos anos 90), o repertório tinha uns cinco espetáculos. E eu estava em quatro. E a gente fazia! Hoje não tem mais isso, mas estamos fazendo essa dose dupla até numa forma de reverenciar esse teatro. Estou ansiosa.

Como é cantar todo o repertório de “Nós Sempre Teremos Paris” em francês?

Para mim, é uma homenagem à minha origem, à minha falecida mãe. Gostaria muito que ela tivesse visto, porque em casa a gente se falava em francês. Infelizmente, não tive essa chance. O francês é uma língua que amo, é romântica por si só, assim como eu. Me lembro uma vez que cantei “La vie em rose” (uma das músicas do espetáculo), para o meu marido que estava na plateia . Então são duas delicadezas esses nossos espetáculos. “Vinil” tem a delicadeza com humor, de falar do humano, da memória, da Amanda que deixou os musicais porque não conseguia memorizar, mas ainda se diverte. E “Paris” é uma coisa romântica, uma caixinha de música, uma lembrança de um amor que ficou.

E a dobradinha com o Baduh? Nas duas peças, vocês contracenam muito diretamente.

O Baduh substituiu o Aloísio de Abreu em “Paris” numa turnê que fizemos n sul. Ele é cantor, já morou em Paris… O diretor André buscava um tipo físico que cantasse e tivesse um certo temperamento, o Baduh foi indicado e ficou. É gostoso e prazeroso, temos uma energia ótima, trocamos figurinhas, nos divertimos, nos conhecemos no olhar. E teatro só vale a pena se for assim, como uma família, trabalhando sempre em prol do espetáculo.

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