Aos 21 anos, Gabriel Lara demonstra total convicção sobre carreira no teatro: ‘Nunca pensei em outra coisa’

Do Rio Encena

Com 10 anos de carreira, Gabriel sempre soube que profissão seguir Foto: Divulgação

“Desde que conheci o teatro, nunca mais pensei em fazer outra coisa”. Esta é uma síntese perfeita da convicção que Gabriel Lara tem em relação ao seu trabalho como ator. Atualmente, o carioca está com 21 anos e 10 de carreira, ou seja, tal certeza, ele nutre desde os 11, idade em que a maioria esmagadora dos garotos só brinca e estuda, sem fazer ainda a menor ideia de que profissão seguir.

Ter certeza de sua vocação desde cedo, aliás, não é a única demonstração de maturidade de Gabriel. Com apenas quatro espetáculos no currículo, sendo o mais recente “O Garoto da Última Fila”, em cartaz no Teatro das Artes, ele não enxerga nenhum como fracasso, mas reconhece que aquele que não saiu como o desejado, aos menos serviu de aprendizado.

– Acrescentou muita coisa – garante Gabriel Lara, em entrevista ao quadro “Perfis”, do RIO ENCENA.

Ainda sobre sua carreira, Gabriel tem dois pontos muito bem definidos: o quê quer e o quê não quer fazer no palco. Mais para frente, deseja realizar um projeto pessoal, com texto e ideias próprios. Já descartada está a ideia de participar de algum trabalho que possa desrespeitar alguém. Conheça um pouco mais desse jovem ator na entrevista abaixo:

Espetáculo mais marcante da carreira?
“Noviça Rebelde”, por ter sido o meu primeiro trabalho e por ter sido uma mega produção. Foi bem legal! Marcou mesmo porque foi quando comecei no teatro.

Um fracasso?
Acho que nunca tive um fracasso. Fiz uma peça no fim do ano passado, n’O Tablado, que o processo foi incrível, mas sinto que não foi o melhor que eu poderia ter dado. Não fiquei com o resultado final do personagem, mas foi bom para aprender. Acrescentou muita coisa.

Trabalho dos sonhos?
Na verdade, mais do que um texto ou um personagem específicos, eu queria fazer uma coisa minha, um texto meu, um projeto pessoal… Tenho essa vontade. Comecei a escrever duas cenas no Festu (Festival de Teatro Universitário), vamos ver… Ainda faremos uns testes de cena. Esse seria meu primeiro projeto. Mas para uma peça de verdade, ainda não tenho muitos planos.

O quê não faria de jeito nenhum nos palcos?
Difícil essa… (risos) Não faria qualquer texto ou encenação que desrespeitasse alguma minoria, algum grupo… Sempre tenho esse cuidado com isso, porque a pior coisa hoje em dia é isso. As pessoas falam muita coisa, então uma hora ou outra, vai sair alguma coisa que possa machucar alguém. Então, eu tomaria muito cuidado com isso, caso pegasse um texto e percebesse alguma forma de desrespeito.

Em cena com Isio Ghelman, Gabriel é o garoto da última fila citado no título da peça Foto: Felipe Panfili/Divulgação

Como recebe as críticas em geral?
Sempre pergunto a amigos de teatro, procuro receber críticas negativas também. Não querer receber crítica assim é péssimo. Tem que saber lidar. As positivas são ótimas, mas com as negativas, você pode melhorar. Então, gosto de perguntar sempre onde posso melhorar e consertar as falhas.

Um ídolo no teatro?
Nunca tive um ídolo. Essa pergunta sempre foi difícil para mim, não só no teatro, mas no geral. Para mim, as coisas dependem do momento. Se agora estou achando legal uma forma de atuar, se estou interessado em comédia, por exemplo, presto atenção em atores de comédia. Nunca tive um só ídolo.

Um gênero de preferência?
Comecei gostando mais de comédia, mas agora estou me interessando mais por drama, uma coisa mais densa. Mas ainda acho que sou da comédia mesmo (risos).

Maior desafio na carreira de um artista de teatro?
Para mim, o desafio é fazer teatro propriamente dito, que é muito difícil. Muitas pessoas têm uma visão de arte já ultrapassada. Então, só de fazer teatro, mostrar a sua arte no mundo, já tem que ter muita coragem. Estão desvalorizando a arte, e o desafio é fazer arte sem incentivo, sem quórum.

Já pensou em desistir da carreira?
Não. Sempre que isso passa pela cabeça, penso no que poderia ser se não fosse ator. E não me vejo em nenhum outro trabalho.

Se não trabalhasse com teatro, seria…
Outro dia mesmo, eu estava conversando com um amigo de teatro sobre isso. Eu queria fazer economia quando era criança, mas não era de verdade. Era só aquela coisa de ter que fazer uma faculdade. Mas desde que conheci o teatro, nunca mais pensei em fazer outra coisa.

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