Alvaro Assad lembra sucesso e fracasso com um mesmo espetáculo: ‘Aplausos e um silêncio gélido’

Do Rio Encena

Com 25 anos, o ator, diretor e mímico já esteve em 25 peças Foto: Divulgação

Com 25 anos, o ator, diretor e mímico já esteve em 25 peças Foto: Divulgação

Ator, diretor e mímico, mas, antes de tudo, apaixonado pela comédia. Assim é Alvaro Assad, 47 anos, que tem como característica marcante o bom humor não apenas para suas apresentações com o Centro Teatral Etc. e Tal, mas também para relembrar passagens curiosas dos seus mais de 25 anos de carreira. Uma delas, por exemplo, envolveu “Fulano&Sicrano”, um dos 25 espetáculos dos quais já participou. Na esportiva, o gaúcho de Alegrete conta duas reações totalmente opostas que os espectadores tiveram em relação a esta mesma peça, só que, menos mal, em apresentações diferentes:

– Nos apresentamos para um público de 800 pessoas. Terminou com aplausos e pés fazendo estrondo. E ao apresentarmos em uma sessão para um público de 100 pessoas, se gerou um silêncio gélido. A frase do companheiro de cena Marcio Moura, ao nos cruzarmos na coxia, resume tudo: “Não conseguiremos matar o público de rir, ele já está morto” – recorda.

Às vésperas de estrear com o infantil “Victor James – O Menino Que Virou Robô de Videogame”, espetáculo no qual faz uso da mímica, Alvaro possui uma vasta experiência quando o assunto é a linguagem teatral. Se aperfeiçoando desde 1991 nessa técnica, ele já trabalhou com o português Luis de Lima, considerado um dos mímicos mais renomados do mundo.

Já como diretor, esteve à frente de montagens da própria Etc. e Tal, mas também de outras companhias. Alguns exemplos são “A Noite Dos Palhaços Mudos”, do grupo La Mínima, de Domingos Montagner, além “A Fantástica Baleia Engolidora de Circos”, da Cia. Frita. Conheça um pouco mais sobre este artista na entrevista abaixo, que ele concedeu, com exclusividade, ao RIO ENCENA:

Cite um espetáculo inesquecível que você tenha participado.
“Onipotência do Sonho”. Espetáculo do Etc e Tal preparado para Mostra do Surrealismo no CCBB/RJ em 2001. Cenas ininterruptas durante 8h. Levamos essas intervenções para fora do Brasil, nos apresentando em Montmartre-Paris/França. Faz parte do Repertório ativo do Etc e Tal.

Tem algum fracasso na carreira? Pode nos contar?
Cômicos que somos, o fracasso é uma cena de humor ou mesmo uma apresentação do espetáculo que não funciona da forma que esperávamos.  E é da característica do teatro esse encontro e “desencontro” com o público. Um mesmo espetáculo (“Fulano&Sicrano”) que já apresentamos para um público de 800 pessoas. Terminou com aplausos e pés fazendo estrondo. E ao apresentarmos em uma sessão para um público de 100 pessoas, se gerou um silêncio gélido. A frase do companheiro de cena Marcio Moura, ao nos cruzarmos na coxia, resume tudo: “Não conseguiremos matar o público de rir, ele já está morto”. Resumindo, fracasso é risco a cada minuto, mas não pensamos nisso…pelo menos, não o tempo todo (risos).

O que ainda deseja fazer para considerar sua carreira completa no teatro?
Meu espetáculo de formatura na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) foi dirigido pelo saudoso Marcio Vianna e se chamava “A Alma Quando Sonha é Teatro”. Misturava o jovem elenco com atrizes de longa carreira (Catalina Bonaky; Licia Magna; Norma Geraldi; Vanda Lacerda e Yara Victoria). O mote do espetáculo era entrevistas com atores de longa carreira e o que eles gostariam de encenar pela última vez ou mesmo qual frase gostariam de falar. Lembrando da última frase de Hamlet (William Shakespeare), “o resto é silêncio”, gostaria de repetir ela várias vezes sem “completar”. Ou seja, estar sempre em movimento. Nossa carreira é dia após dia. Ao invés de sucesso minha palavra predileta é suceder.

Alvaro estreia o infantil "Victor James" ao lado de Melissa Teles-Lôbo no próximo dia 8 Foto: Mariana Rocha/Divulgação

Alvaro estreia o infantil “Victor James” ao lado de Melissa Teles-Lôbo no próximo dia 8 Foto: Mariana Rocha/Divulgação

Prefere produzir, dirigir ou atuar? Por quê?
Ator atua e assim somos felizes. E me realizo de poder navegar nessas três funções. No Etc e Tal me completo dessa forma em espetáculos como “Victor James”, “Fulano&Sicrano”, “O Maior Menor Espetáculo da Terra”, “No Buraco”, “¿Branca de Neve?, “Onipotência do Sonho”. Fora do Etc e Tal meu trabalho é focado na direção com criação em grupos parceiros, tais como LaMínima/SP (espetáculos A Noites dos Palhaços Mudos e Mistero Buffo), Parlapatões Patifes&Paspalhões/SP(Os MeQueTreFe), Teatro de Anônimo/RJ (Melhor dos Mundos) e Cia Frita/RJ (A Fantástica Baleia Engolidora de Circos).

Ator ou atriz você tem como referência no teatro?
Somos um caldeirão de informação cênica. Tenho a oportunidade de ser contemporâneo como espectador de Paulo Gracindo e Fernanda Montenegro. E são muitas as referências, dentre elas na comicidade o palhaço de familia clássica italiana Leris Colombaioni ao multi artista Charles Chaplin que imortalizou suas criações no cinema.

Cite um diretor (a) que você admira?
David Herman, um diretor inglês e formador de atores cariocas.

Um gênero em que prefere atuar?
A comédia com e/ou sem palavras.

Um profissional com quem tenha mais afinidade para trabalhar no teatro?
Marcio Moura e Melissa Teles-Lôbo. Com eles completo trio de cômicos do “Etc e Tal” e me realizo em contracenar e aprofundar um estilo.

Na sua opinião, qual é o maior desafio na carreira de quem trabalha com teatro?
Se sentir desafiado e estimulado cotidianamente. David Herman, o diretor que citei acima, tem uma frase que define: se você sente medo em entrar em cena, é porque isso é importante pra você.

Se não trabalhasse com teatro, que profissão teria escolhido?
Alguma ligada ao oceano. Juro que pensei em “mágico”. Mas é teatro?

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