‘Adeus ano velho, feliz ano novo…’ Artistas revelam o que desejam para 2018 e o que querem que fique em 2017

Luiz Maurício Monteiro

(Arte a partir de foto do Teatro Maison de France/Divulgação)

Além de longas queimas de fogos, espumantes e roupas brancas, pedidos também são muito comuns em Réveillons. Tomado por esse clima de fim de ano, o RIO ENCENA procurou alguns artistas que passaram pelos palcos cariocas recentemente para saber o quê eles desejam que aconteça em 2018 e o quê querem que fique para trás em 2017. Entre as respostas, teve quem falasse individualmente ou de maneira coletiva, em nome do teatro e da sociedade em geral.

Para o ano que se aproxima, os desejos foram de que o teatro siga resistindo em meio à crise, inclusive recebendo mais público. Já em relação a 2017, não faltaram críticas ao poder público, nas esferas federal, estadual e municipal. Alguns alvos de críticas, aliás, foram devidamente nomeados, como, por exemplo, o prefeito Marcelo Crivella, a secretária de Cultura Nilcemar Nogueira, o ministro Gilmar Mendes e o presidente Michel Temer. O famoso “calote” da prefeitura no edital do fomento 2017, tão falado nos últimos 12 meses, voltou a ser pauta. Já fora dos palcos, o pessoal pediu menos preconceito, radicalismo e intolerância.

No entanto, como ponto de vista é individual, teve gente garantindo que não tem queixas para fazer do ano que se encerra nesse domingo. Confira as declarações abaixo:

(Divulgação)

Bruce Gomlevsky – Ator de “Renato Russo – O Musical”

Desejo para 2018… “Que o teatro brasileiro continue resistindo e brilhando, apesar da falta de uma política cultural voltada para o setor e apesar da falta cada vez maior de patrocínio. Educação e cultura são fundamentais para um país que pretende estar entre os maiores do mundo.”

Que fique em 2017… “Toda a ignorância, preconceito, falta de conhecimento  e radicalismo que vem pautando muitas das discussões no nosso Brasil.”

 

 

(Divulgação)

Aline Deluna – Atriz de “Josephine Baker – A Vênus Negra”

Desejo para 2018… Ver muito mais artistas trabalhando e tendo reconhecimento. Desejo ver as plateias lotadas e pessoas saindo transformadas do teatro. Desejo que a arte se reinvente a cada dia!

Que fique em 2017… As palavras e atitudes de ódio e intolerância. Que fique a censura e a ignorância.

 

 

 

 

Monique Vaillé – Atriz e idealizadora da mostra Ovárias

Desejo para 2018… “Que a cultura seja considerada pelo estado, pela prefeitura e pelo país com a devida importância que tem.”

Que fique em 2017… “O total descaso do estado, da prefeitura e do país com a cultura. Levamos o maior calote em 2017 com o Edital de fomento. Não consegui engolir isso ainda!.”

 

 

 

 

(Reprodução/Facebook)

Bruna Fachetti – Atriz de “O Rio não é Hollywood”

Desejo para 2018… “Mais movimento nos teatros, e que as peças independentes tenham mais visibilidade e reconhecimento por parte da própria classe, às vezes os críticos nem assistem ou a pauta é difícil de conseguir. Desejo também mais apoio da Prefeitura”.

Que fique em 2017… “2017 foi um ano muito bom para mim, mas sei que foi difícil para várias pessoas por conta da crise e também do fomento, que não foi pago, coisas assim. Espero que as pessoas sejam devidamente pagas e que o acesso ao teatro em áreas onde não há tantos teatros seja maior”.

 

(Divulgação)

Gisela de Castro – Atriz de “Eugênia”

Desejo para 2018… “O básico: que os artistas possam viver do seu trabalho, com dignidade e remuneração justa, que o público continue frequentando os teatros e que haja políticas públicas para a cultura!”

Que fique em 2017… “A intolerância, a falta de respeito e o desamor.”

 

 

 

 

(Lenise Pinheiro/Divulgação)

Fernando Nicolau – Diretor de “Se eu Fosse Iracema”

Desejo para 2018… “Ausência de censura; fomento à arte como projeto de lei em todas as cidades brasileiras; expansão da subjetivação, do simbólico e da liberdade em todxs; Que as pessoas que legitimam arte da cena no Rio se disponibilizem também, e principalmente, para as produções artísticas da zonas Norte, Oeste, Central, Baixada, universidades e escolas de teatro; Que processualmente ocorra o abandono do caráter personalista, cartorário e imperial do teatro feito na cidade do Rio.”

Que fique em 2017… “Nada”.

 

 

(Reprodução/Internet)

Cristina Flores – Atriz de “Êxtase Anotado”

Desejo para 2018… “A cena está realmente complexa, mas nossa vontade é enorme. O que eu desejo para 2018 é gana. Que a gente saiba reverter nas quatro linhas os acontecimentos. Que não nos retiremos do nosso lugar de fala. Seguiremos o ano que se inicia fazendo o que temos feito a vida inteira: arte.”

Que fique em 2017… “O medo. As coisas vêm acontecendo de maneira tão categórica que não temos mais o que temer. O Temer está na presidência. Não há o que temer. Agora é hora de esquecer o medo e ter coragem. O que a vida quer da gente é coragem.”

 

(Rodrigo Menezes/Divulgação)

Ana Cecília Reis – Atriz de “Dois Perdidos Numa Noite Suja”

Desejo para 2018… “Que todos os trabalhadores da arte lutem ainda mais pelo reconhecimento da importância de suas ações. Que continuem trabalhando, estudando, pesquisando sempre novas formas de crescimento da qualidade do seu fazer e estar no mundo. Que sejam fortes e perseverantes. Desejo que o teatro volte a fazer parte do cotidiano da sociedade. Que se faça ser respeitado, ativo, necessário.”

Que fique em 2017… “Toda a má gestão e o descaso do Estado com as verbas públicas que interferem diretamente na vida das pessoas na sociedade. Que fique em 2017 a incompetência, a preguiça, a estagnação a apatia política e alienação que assombra nosso país para que se consiga realizar uma análise crítica das circunstâncias ao redor e se criem estratégias de mudança social.”

(Luis Carlos Teixeira/Divulgação)

Paula Goja – Atriz de “Quero ser Regina”

Desejo para 2018… “Mais apoio para novos projetos e que as pessoas tenham cada vez mais o hábito de ir ao teatro.”

Que fique em 2017… “O descaso dos governantes com a cultura de maneira geral.”

 

 

 

 

 

(Renato Neto/Divulgação)

Ana Carolina Sauwen – Atriz de “Jogo”

Desejo para 2018… “Iniciativas coletivas de ocupação de novos espaços, de desenvolvimento de novas formas de fazer artístico, que cresceram tanto neste ano se expandam cada vez mais. Que os artistas se apropriem dos conhecimentos sobre orçamento público e seja aprovada uma lei do fomento desenvolvida por quem trabalha na cultura. Que todas as pessoas possam reconhecer o papel fundamental da cultura e da arte na identidade de um povo. Que, para isso, cada vez mais gente tenha acesso à educação de verdade. Desejo mais amor, muito mais amor, por favor!”

Que fique em 2017… “As manipulações políticas rasteiras feitas em torno da cultura, o Crivella, a secretária de Cultura Nilcemar Nogueira, o Gilmar Mendes, o Temer… Olha muita coisa e muita gente.”

 

Alexandre dal Farra – Ator de “Branco: o cheiro do lírio e do formol”

Desejo para 2018… “Um ano menos marcado pela necessidade de que o teatro sirva como um tipo de apaziguador dos nossos ânimos políticos acuados. Gostaria que o teatro de 2018 fosse político sem ter que ser um espaço de reafirmação de crenças anteriores. Que fosse político sendo provocador, procurando movimentar as nossas compreensões e os nossos afetos políticos. A meu ver, mover as coisas é sempre bom. Quero que o teatro possa nos mover e alterar nossas percepções assentadas e rígidas, calcadas em medos urgentes e reais. Mas gostaria que o teatro não precisasse recuar diante desses medos e retrações e pudesse ser um lugar de movimento.”

Que fique em 2017… “De minha parte, a necessidade de se falar das coisas diretamente. Acho que em 2018 buscarei muito mais o indireto. Para mim é um retorno a uma proposta de uma arte menos diretamente conectada ao agora, de uma arte que também se feche um pouco sobre si mesma. De certa forma, trata-se da retomada de um fio que estava no “Mateus, 10″ (2012), que gostaria de voltar a puxar nesse momento. Não como uma forma de retração, mas talvez como uma estratégia diante da difícil situação política em que nos encontramos. Desde a Trilogia abnegação (2014-2016)” até o “Branco: o cheiro do lírio e do formol” (2017), eu passei por um lugar na arte que a situava sempre em um território extremamente delimitado, onde me propunha a instaurar um espaço negativo, de autocrítica, muitas vezes à revelia do que se esperava/necessitava ali. Isso é algo que quero deixar em 2017, para retornar a um lugar onde a arte não esteja conectada em questões tão explícitas e urgentes, e possa ter um pouco mais de independência.”

(Divulgação)

Juracy de Oliveira – Ator de “Le Circo de la Drag”

Desejo para 2018… “União, sabe? Que a gente consiga fazer uma frente de resistência unificada. Definitivamente, não poderemos esperar nada do poder público. Logo, acredito que seja o momento de estarmos juntos no micro e no macro. Quando falo do micro, penso em pequenas ações que fazem a diferença (ajudar a divulgar teatro, prestigiar os espetáculos em cartaz na cidade e etc) e no macro, precisamos organizar nossas frentes de protesto e manifestação e, o mais importante, trabalhar nosso pensamento de resistência. Enfim, desejo basicamente que estejamos juntos.”

Que fique em 2017… “2017 foi um ano difícil. O louco é que também foi um ano de grandes acontecimentos teatrais. Lembro claramente de ter sido arrebatado diversas vezes esse ano assistindo teatro. Logo, o que eu quero que fique em 2017 é tudo aquilo que nos impede de chegar nesse lugar arrebatador.”

 

(Imatra/Divulgação)

Adassa Martins – Atriz de  “Se eu Fosse Iracema”

Desejo para 2018… “Respeito à classe artística brasileira, liberdade de expressão, não à censura, não ao golpe de estado. Que a democracia se fortaleça e a potência da arte se faça abrindo espaço para a reflexão, para a transformação da realidade e para o engrandecimento das diversidades.”

Que fique em 2017… “O medo de me posicionar, a dúvida de por onde pisar, os limites que cerceiam direitos e o receio de ser quem nós somos e de desejar o que nos é de direito.”

 

 

(Divulgação)

Ricardo Monastero – Ator de “Sobre Ratos E Homens”

Desejo para 2018… “Muito mais espetáculos, que são instrumentos cada vez mais necessários para fortalecer a cultura como ambiente coletivo neste momento em que o poder público parece zombar de nossa força de transformação.”

Que fique em 2017… “As tentativas absurdas de retorno a um discurso retrógrado. Deixemos para trás o que já é passado, deixemos para trás qualquer tentativa de regresso aos tempos em que a liberdade ainda era motivo de luta. Já vencemos! Que venha 2018 repleto de arte e reflexão porque como está não pode mais ficar.”

 

(Divulgação)

Felipe Cabral – Ator de “O Filho do Presidente” e idealizador do Festu (Festival de Teatro Universitário)

Desejo para 2018… “Este ano, tive a sensação de que muitas pessoas estavam realizando projetos que realmente acreditavam. Colocando em cena o que queriam mostrar, falar, debater, provocar. Espetáculos que eram necessários para suas vidas. Que eram urgentes para os palcos do Rio. E quando nós, artistas, encontramos na arte o que desejamos expressar, o resultado tem grandes chances de afetar o público. Se eu pudesse desejar algo para o teatro no ano que chega, seria que ele encontre e reencontre esse local de expressão, onde quem está ali está com um tesão completo por aquela obra e por levá-la ao público. Que o teatro seja teatro no teatro, mas também na rua, no apartamento, numa cozinha ou onde tiver encontros. E que seja feito com amor, porque estamos precisando dele mais do que nunca.”

Que fique em 2017… “Toda intolerância que foi vista à nossa volta. Vivemos tempos tão difíceis que é difícil não ter raiva, mas precisamos nos cercar cada vez mais de quem nos faz bem e seguir plantando juntos o amor. Melhor ainda se fizermos isso com arte.”

(Leandro Mariz/Divulgação)

Tom Pires – Ator de “Chica da Silva – O Musical”

Desejo para 2018… “Que seja um ano de retomada na produção teatral carioca e que o público volte a frequentar os teatros em busca de uma experiência, de conhecimento, de vivência artística e não apenas, do entretenimento. Para isso, precisamos que os teatros voltem a ser ocupados por artistas. O entretenimento é um mercado que admiro consumo e respeito, mas há uma confusão na relação teatro/espetáculo/show que só prejudica ao teatro. É claro que acho perfeito você poder pagar suas contas fazendo show ou espetáculos, mas, não se consegue formar público de teatro sem, antes, lhes apresentar teatro. Espero que em 2018 voltemos a ser assistidos pelo poder público na produção cultural carioca, mas, além dos editais de incentivo precisamos voltar a fazer um teatro que faça verdadeira diferença para quem o assiste. Por exemplo, eu gostaria muito de ver novo nos palcos em 2018 “Tom Na Fazenda”, “Agosto”, ”Um Bonde Chamado Desejo”, “E Se Eu Fosse Iracema”. Quem sabe assim o público volte a sentir necessidade de ir ao teatro e tenhamos, de novo, um mercado sustentável? Vamos fazer teatro em 2018, pessoal. Eu confio.”

Que fique em 2017… “Não tenho do que me queixar de 2017. Dirigi, produzi e atuei em três espetáculos, além de ter voltado a ministrar aulas de teatro e desenvolvimento – para não atores. Reflexo da crise ou não, 2017 se apresentou democrático para os pequenos e médios produtores de teatro do Rio, já que as pouquíssimas oportunidades de trabalho tornaram o mercado mais democrático aos pequenos e médios produtores. Exemplo disso é a grande quantidade de projetos autorais/pessoais que invadiram os palcos da cidade. Ainda assim, gostaria de deixar pra trás a desastrosa atuação da secretaria de cultura do Rio de Janeiro em 2017, porque é inadmissível que uma cidade, eminentemente turística, tenha como incentivo à produção cultura um edital com valor de oito mil reais por projeto. Isso, no mínimo, implica falta de conhecimento de causa. Lamentável.”

 

(Pino Gomes/Divulgação)

Armando Babaioff – Ator de “Tom na Fazenda”

Desejo para 2018… “Mais teatro ao teatro. Desejo mais público aos teatros, que a população entenda que o fomento que não foi pago não é só uma causa dos trabalhadores de cultura e que o não cumprimento desse incentivo, e o calote que a cultura levou, afetou milhares de pessoas e não só a nós artistas. Quem perde é a cidade. Desejo a volta do Teatro Glória, do Teatro Villa-Lobos. Desejo mais incentivo, mais espaços. Mais inquietude.”

Que fique em 2017… “Só quero agradecer a 2017. De 2017 levo tudo o que aprendi.”

 

 

(Roger Gonzalez/Divulgação)

Rodrigo Candelot – Diretor de “Enrolados”

Desejo para 2018… “Que tenhamos cada vez mais criatividade para tirar projetos do papel, já que a política pública para a cultura é um desastre nesse governo. Que nos unamos cada vez mais, porque só assim podemos tirar a cidade desse marasmo cultural que esse prefeito e essa secretaria de cultura pretendem deixar de legado para os cidadãos. E que a iniciativa privada e os órgãos públicos federais e estaduais olhem com mais carinho para nossa cidade. Só a cultura e a educação transformam as nações. É assim nos países desenvolvidos, e é assim que tem que ser aqui.”

Que fique em 2017… “Os ‘não vou conseguir’, ‘não dá’, ‘algum dia eu realizo’, ‘quem sabe ano que vem esse projeto sai do papel’. Precisamos lembrar também dessa força descomunal que nós artistas temos para seguir em frente realizando nossos projetos e correndo na frente para não ficarmos parados. A roda gira, a caravana não para e os cães ladram, mas não podem nos morder. Antes tarde que mais tarde.”

(Zero8onze/Divulgação)

Daniel Dias da Silva – Diretor de “O Princípio de Arquimedes”

Desejo para 2018… “Que as artes voltem ter a importância e o valor que merecem. Que possamos utilizar as experiências ruins de 2017 como uma força para nos mantermos firmes e vigilantes como artistas, porque é a cultura que forma a identidade de uma sociedade. Então, que o teatro possa ser uma voz mais atuante e representativa, e que o público possa responder essa busca frequentando e discutindo mais o teatro. E que a gente também se renove para poder ir ao encontro desse público e tentar entender o que eles esperam de nós. E que venham mais editais e espaços públicos, porque estamos carentes.”

Que fique em 2017… “As questões políticas que provocaram um trauma na sociedade em geral, e acho que na arte, de certa maneira. Temos que deixar para trás estas diferenças, porque ainda temos muitos problemas para superar. E só  entendendo nossas semelhanças conseguiremos andar para frente. Também espero que possamos superar esse momento nebuloso que acabou respingando na arte, através dessa censura ora explícita, ora mais velada, mas que tem provocado restrição num espaço que deveria ser de liberdade, que é a arte. Que a sociedade possa entender melhor esse espaço libertário de pesquisa, busca e experimentação e não olhar para a arte com olhos acusatórios, de crítica e censura. Isso só nos faz retroceder enquanto cidadãos. Espero eu essa fase movida por questões morais e religiosas de certos grupos possam ser enterradas e superadas em nome de uma sociedade mais livre, mais evoluída e mais moderna.”

Fabrício Moser – Ator e Diretor de “Duo Sobre Desvios”

(Ricardo Martins/Divulgação)

Desejo para 2018… “Que o teatro seja respeitado pelo poder público e se fortaleça em 2018, retomando o espaço de produção que teve na vida do povo brasileiro na última década por meio de diversas políticas públicas que estão sendo desmontadas. Que o teatro chegue aos cantos e recantos do país para promover a expansão da consciência de um povo que está, sobretudo, cansado da situação em que encontra. Que esse mesmo povo possa encontrar no teatro os meios de promover uma transformação, uma mudança social. Que haja a valorização das produções teatrais realizadas por artistas e grupos tradicionais e independentes, não só as sintonizadas com o mercado, mas também as produções artesanais e de vanguarda. Que as grandes instituições promotoras da cultura do país retomem os seus fomentos a montagens, festivais, ações e oficinas, e que esse retorno traga com ele a verdadeira democratização do acesso a prêmios e editais e às pautas dos teatros públicos e privados de todo o Brasil. Que tenhamos plateias lotadas e que, como no passado, as temporadas voltem a durar mais do que um único mês, e que a partir disso as obras do teatro contemporâneo fiquem em cartaz por bimestres, semestres, quem sabe, então. Por fim, desejo a criação de novos teatros em detrimento dos muitos que foram abandonados e fechados pela especulação imobiliária, a propagação de cursos de formação e popularização e que se respeite o Teatro Oficina de São Paulo e os trabalhadores do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, legados da história do teatro brasileiro.”

Que fique em 2017… “As desastrosas gestões dos órgãos públicos de Cultura nas esferas municipal, estadual e nacional, que afetaram e afetarão de maneira muito negativa e por longo período de tempo a produção teatral brasileira. No Rio, o descaso da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, sem qualquer diálogo aberto ou parceira com os produtores teatrais da cidade, classe que deveria representar, não pagou e nem buscou meios de dar continuidade ao Fomento, não apoiou a Campanha Teatro para Todos, entre outras condutas que contribuíram para encolher e enfraquecer o mercado teatral da cidade. Foi um ano de retrocessos nas esferas do poder estadual e nacional também, sendo que nestes dois casos foram vergonhosas as atuações de seus dirigentes, trocados que foram como peças de um quebra-cabeça cuja imagem é cada vez pior, muitos sem qualquer relação ou experiência com o cargo, não buscaram meios de fomentar a produção brasileira e tiveram falas públicas em diferentes momentos que se tornaram piadas nacionais, como o inacreditável caso da confusão que um deles fez entre o encenador alemão Bertolt Brecht e o personagem da Escolinha do Professor Raimundo Bertoldo Brecha.”

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