‘A Vinda do Messias’, drama solo sobre solidão e carência, chega ao Sesc Tijuca

Do Rio Encena

Mariana interpreta a protagonista Rosa Foto: Paula Kossatz/Divulgação

Um estudo iniciado em 2002, numa grande área metropolitana dos Estados Unidos, por John Cacioppo (1951-2018), professor catedrático de psicologia e gestor do Centro de Neurociência Cognitiva e Social na Universidade de Chicago, diz que uma a cada quatro pessoas se sente sozinha frequentemente, mesmo com outros indivíduos ao redor. Em tempos de redes sociais virtuais, a solidão já é vista por especialistas como uma epidemia no século XXI que merece atenção. E no teatro, o tema ganha esta abordagem com o espetáculo “A Vinda do Messias”, que estreia nesta sexta-feira (08), às 20h, no Sesc Tijuca.

Personagem de Mariana Consoli, Rosa Aparecida é uma pessoa que se encaixa nesta estatística de pessoas solitárias por natureza ou que se sentem socialmente isoladas, mesmo rodeadas por outras. Por trabalhar como costureira num grande centro urbano, ela, que veio do interior, naturalmente convive com clientes. Mesmo assim, sente-se sozinha.

Tamanho isolamento leva Rosa a uma brutal carência afetiva, o que a faz viver entre a realidade e a fantasia. No meio destes pensamentos imaginários, a moça cria, a partir de seus ídolos dos meios de comunicação, como TV e rádio, um amante: o Messias, do título. Ela insiste em aguardar a sua chegada, mas ele, por razões óbvias que a protagonista não vê, nunca aparece.

Embora trate de um tema cercado por estatísticas que chamam atenção nos anos 2000, o texto de “A vinda do Messias” foi escrito pelo paulista Timochenco Wehbi (1943-1986) em 1970, mesmo ano em que ganhou o Prêmio da Associação de Críticos Teatrais de São Paulo na categoria Melhor Autor. Nesta montagem, a solidão volta a ser tratada no palco com direção de Isabel Cavalcanti.

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