’60! Década de Arromba – Doc. Musical’ capricha em parte vocal, cenário e figurino, mas precisa rever conceitos

Péricles Vanzella

Péricles Vanzella

30 anos, é doutorando em Artes Cênicas pela Unirio, ator, sapateador e cantor.

Como exposto no título, “doc musical”, “60! Década de Arromba”, que tem Wanderléa como estrela do seu elenco, realiza uma retrospectiva da década de 60 através de números musicais. O critério de seleção dos autores foi bastante amplo, resultando em um espetáculo de três horas de duração. Há que se elogiar a empreitada, por sua coragem e trabalho requerido, ainda que existam aspectos a ponderar.

Como de praxe em espetáculos deste porte, e especialmente em se tratando de uma peça exclusivamente musicada, o cenário é grandioso e bonito, sem muitos elementos no centro do palco, de modo a não atrapalhar as coreografias.

Os figurinos são maravilhosos, o ponto forte da noite, junto com os números musicais. Para além da variedade imensa, pois cada número musical apresenta novos figurinos (são 3h de peça), todos eles são de uma beleza singular. Vale lembrar também a velocidade das trocas de roupa. As perucas merecem destaque particular.

A parte vocal está irrepreensível, assim como as coreografias, que extraíram de seus cantores/dançarinos o melhor que eles tinham para dar – investida louvável. Wanderléa está linda! Uma verdadeira diva no palco, e cantando como nunca.

Creio que o gênero necessita ser pensado. Se a ideia é o puro entretenimento, a duração e a tomada de posição política precisam ser revistas. Se não é o puro entretenimento, o uso indiscriminado de qualquer técnica minimamente dominada pelos atores é questionável. Neste caso, por exemplo, a lira, o sapateado e a perna de pau.

Outro ponto diz respeito à fórmula composta exclusivamente de números musicais, portanto fragmentada, que requer uma maneira de preencher as lacunas, os tempos entre coreografias. “60! Década de arromba – doc musical”, apesar de possuir um elenco de 24 cantores/dançarinos (o que permitiria intercalá-los) optou pela exibição de projeções históricas, o que é bem interessante; contudo, uma tela precisava descer para servir de fundo para as projeções. No decorrer do espetáculo, a subida e descida do telão praticamente ao final de cada número musical quebrou bastante a fruição do espetáculo.

Um abraço e até domingo que vem!
Dúvidas, críticas e sugestões, envie para pericles.vanzella@rioencena.com.br.